PRESSIONADO PELA REDUÇÃO DE RECEITAS EM DÓLARES

Kwanza desvalorizado sete vezes nos quatro primeiros meses do ano

DIVISAS. Há 106 dias que o peso da moeda nacional não pára de cair. De Janeiro a Abril, kwanza sofreu sete desvalorizações, com uma queda de 6,6%. O dólar ‘saltou’ dos 156,3 kwanzas para 166,7. Um estudo da Universidade Católica de Angola defende uma desvalorização imediata de 20%.

 

O preço oficial do dólar aumentou 6,6%, de Janeiro a 15 de Abril deste ano, ao sair de 156,3 para 166,7 kwanzas, resultado de sete desvalorizações da moeda nacional face à norte-americana num intervalo de 106 dias, revelam números do Banco Nacional de Angola (BNA), divulgados no seu site.

De acordo com o quadro de taxas de câmbio do banco central, Janeiro foi o mês em que o kwanza se manteve estável, ou seja, com uma única depreciação de 15% desde Dezembro, ao evoluir de 135,9 para os 156,3 kwanzas. Seguem-se Fevereiro e Março, ambos com duas desvalorizações seguidas com o dólar a ficar entre os 158,6/159,7 kwanzas e 160,6/161,4 kwanzas.

A marcha da desvalorização chega a Abril. Nas duas primeiras semanas, a moeda nacional sofreu igualmente duas desvalorizações designadamente de 163,7 e 166,7 kwanzas, com o BNA a apertar em 1,8% no preço do dólar vendido aos bancos comerciais.

De acordo com relatório económico de 2015, do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola, o kwanza deve sofrer uma desvalorização imediata face ao dólar de até 20%, para travar a especulação no mercado paralelo.

Estes últimos aumentos na taxa oficial de câmbio não foram justificados pelo banco central. No ano passado, a quebra na cotação do kwanza face ao dólar foi fundamentada pelo então governador do BNA como meio de ‘aperto’ à política monetária.

Ao falar ao bancários, no ano passado, José Pedro de Morais considerou que “se o mecanismo de transmissão da política monetária for suficientemente eficaz, o aumento das taxas de juro do mercado monetário interbancário deverá influenciar (...) as taxas de juro dos títulos públicos. Num segundo momento, ajustar-se-ão as taxas de juro dos depósitos a prazo (...), incentivando a procura por moeda nacional. Se a procura da moeda nacional aumentar, reduzirá a procura por moeda estrangeira, reduzindo- se, igualmente, a pressão sobre a taxa de câmbio”.

Desde então, seguiu-se uma ‘cruzada’ para a depreciação do kwanza. Mas a medida já vem de longe. Desde Junho de 2014 que o Kwanza perdeu terreno face ao dólar em cerca de 70% no mercado oficial, ao sair de 97,8 kz para os actuais 166,7 kz, por cada dólar.

No mercado informal de câmbio, a quebra foi abismal, com a nota de 100 dólares a rondar, actualmente, os 35.000 e os 40.000 kwanzas. Estas transformações já despertaram a atenção de vários operadores económicos, que pedem uma intervenção do BNA.

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