PORQUE FALHAM OS NEGÓCIOS
Embaixadores de vários países ocidentais perfilaram-se nas últimas semanas para dizer, com eufemismos, que Angola não é um bom país para se investir. Os constrangimentos apontados sem reservas centraram-se, sobretudo, nos embaraços burocráticos e na perturbada conjuntura económica. A questão política, apesar de endossar as críticas, passou com mensagens mais subtis. Ninguém foi ao ponto de afirmar, com palavras directas, que a crispação do ambiente político impõe um quadro de impressibilidade que assusta os investidores.

Em certa medida, é compreensível. Os embaixadores estão sujeitos a uma certa disciplina política que impõe linhas vermelhas no discurso proferido em canal aberto. Dizer que o problema crítico do país não é a incapacidade do regime de produzir reformas, mas antes a própria falência inapelável do regime não é tarefa para embaixadores. Até porque é daquelas afirmações com forte potencial de levar a cortes nas relações diplomáticas. Há também a hipótese já testada de determinados interesses estrangeiros relativizarem o risco político desde que os seus privilégios se mantenham intactos. Todavia, o mais recente trauma moçambicano e outros que ameaçam a estabilidade dos regimes autoritários mostram que, perante convulsões políticas a sério, quase ninguém fica a salvo. Nem o investimento estrangeiro.
O debate sobre a quebra e a fuga do investimento estrangeiro, explicadas pela ausência de um bom ambiente de negócios, deve privilegiar por isso as preocupações com o risco político. Há quatro semanas, o politólogo Sihanouk Fortuna, revisitando Condolezza Rice e Amy Zegart, lembrou alguns dos vários riscos políticos que barram o investimento directo estrangeiro. Curiosamente, os onze mais recorrentes em Angola recordam a verdadeira face do problema, a natureza do regime autocrático. Basta voltar a enumerá-los: quadro de incertezas nos processos de gestão política, quadro de instabilidade legislativa eleitoral, excessiva centralização do poder, ausência de consensos nos assuntos de interesse nacional, falta de articulação com outros actores do espaço público, falta de transparência nos processos de contratação pública, expropriação ou nacionalização de activos, conflitualidade entre os órgãos do sistema judicial, instrumentalização da lei e da justiça para a perseguição política, mudanças regulatórias inesperadas e elevados níveis de exposição de políticos e servidores públicos nos negócios.
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