HERMENEGILDO FRANCISCO, ADMINISTRADOR DA ALDEIA NOVA

"Um dos calcanhares de Aquiles que temos hoje nas empresas públicas são os prazos que o IGAPE impõe para apresentação das contas"

O Estado deve à Aldeia Nova mais de 12 milhões de dólares, enquanto a empresa tem um passivo de cerca de três mil milhões de kwanzas com a Administração Geral Tributária (AGT). A revelação é de Hermenegildo Francisco, administrador da Aldeia Nova, que defende uma revisão dos prazos impostos pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) para a apresentação das contas das empresas públicas.

"Um dos calcanhares de Aquiles que temos hoje nas empresas públicas são os prazos que o IGAPE impõe para apresentação das contas"
Mário Mujetes

Qual é a realidade actual da Aldeia Nova?

Não podemos dizer que estamos totalmente saudáveis. Em termos de produção, estamos com oito fábricas com capacidade para produzir, mas, por falta de insumos e matéria-prima, algumas estão paralisadas. Actualmente, apenas quatro fábricas estão a funcionar. Do ponto de vista financeiro, como qualquer outra empresa, atravessamos grandes desafios, relacionados com os mercados, a importação, o contencioso fiscal e as dívidas, inclusive os passivos com o Estado.

 Além dos desafios que citou, há a questão da continuidade de algumas áreas. Como se encontra o sector da alimentação, criação de aves e produção de ovos?

Por questões económicas e também do próprio mercado, muitas linhas foram descontinuadas. Tivemos, por exemplo, a fábrica de refeições completas, de refeições prontas a comer, mas o mercado não foi tão receptivo, por conta da força do hábito e também da concorrência de produtos importados, que o cliente prefere ao produto nacional. Quanto à produção de ovos, paralisámos esse projecto por conta da necessidade de matéria-prima, nomeadamente soja e milho. Em contrapartida, temos o projecto de fomento social, onde trabalhávamos com mais de 630 famílias para a produção de ovos. Tivemos perdas avultadas por conta da corrupção mental envolvendo os produtores, ou seja, todo aquele produto que fornecíamos para o produtor produzir o ovo era dado a destino incerto, não surtindo o objectivo final, que era a devolução com o ovo. A dívida ao produtor era paga com o ovo e notámos que esse projecto não teria mais pernas para andar. O preço do milho e da soja subiu acima do normal na fase em que terminámos o projecto. Assim sendo, focámo-nos mais na produção do nosso próprio núcleo, onde temos vantagens para dar continuidade. Neste momento, temos um núcleo a trabalhar numa fase piloto e perspectivamos ter os primeiros sinais até ao final de Outubro.



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