ANGOLA GROWING
Nelson Rodrigues

Nelson Rodrigues

AGRICULTURA. Dinheiro teve origem na sociedade participada pelo BAI, Millennium Atlântico e Fundo da Noruega. E ajudou empresas a expandirem negócios.

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A Angola Capital Partners (ACP), sociedade de investimento detida pelo Banco Angolano de Investimento (BAI), o Millennium Atlântico e pelos fundos da Noruega e de Espanha, injectou cerca de 10 milhões de dólares nos negócios da Fazenda Girassol e da Beta Bloco, avançou o director-geral da sociedade, Tiago Laranjeiro.

Dos 10 milhões de dólares, oito milhões foram aplicados na expansão das actividades dos projectos agrícolas da Fazenda Girassol, nomeadamente no reforço da frota de camiões de distribuição e na construção de um armazém frigorífico. Os restantes dois milhões serviram para cobrir as operações da unidade de produção de blocos, a Beta Blocos, segundo o seu sócio-gerente, João Amaral.

“Na ACP, está incluído o Fundo da Noruega, o BAI, Atlântico e os governos da Espanha e da Dinamarca. Eles juntaram dinheiro e financiaram, entraram no capital das empresas. Hoje são o maior accionista individual da Fazenda Girassol e da Beta Bloco”, asseguru João Amaral, garantindo ainda que, com os desembolsos da ACP, o grupo alargou a actividade. Actulamente, segundo referiu, decorre o processo de produção numa fazenda em que a entidade investiu com fundos recolhidos da ACP, além de outras aplicações como o ‘rebranding’ da marca Fazenda Girassol em Outubro deste ano.

“Isso é uma pequena parte”, disse ao reagir à alteração da marca. Para João Amaral, todo o grande desenvolvimento foi na nova frota de distribuição e armazéns frigóricos. “Temos 24 camiões de distribuição e conseguimos fazer um armazém frigorifico, no Kifangondo, para a logística de todos os produtos”, contou.

Outra parte dinheiro foi usada na nova fazenda. “Neste momento, estamos a produzir no N’zeto. Temos uma fazenda nova que está a trabalhar praticamente há dois anos, produz e esses produtos vêm para o centro logístico do Kifangondo e depois são espalhados por todos os supermercados, restaurantes, hotéis e para a nossa venda online, onde fomos os pioneiros”, aponta o gestor que divide a sociedade com o empresário Sindika Dokolo e a Angola Capital Partners, que injectou os recursos.

ORIGEM DOS RECURSOS

A ACP contabiliza que já investiu, até ao momento, perto de 40 milhões de dólares, através do Fundo de Investimento de Angola, a que designou por FIPA 1 e FIPA 2. Para o director-geral da ACP, os objectivos da sociedade integram três pontos, desde atingir uma viabilidade financeira, a sustentabilidade social e ambiental e fazer as empresas alcançarem elevado nível de transparência e de boa governação.

“A Angola Capital Partners e seus fundos investem em empresas sustentáveis e promovem empresas para as ajudar a crescer e, através do crescimento, contribuir para o desenvolvimento de Angola, para a criação de empregos e para o desenvolvimento do país”, considerou.

Dos investimentos já realizados, Tiago Laranjeiro considera terem alcançado a marca de 1.600 empregos, nos mais variados projectos. “Das coisas mais surpreendentes para quem vê o relatório é ver os números de empregos criados, mais de 1.600, quantidade de produção nacional a nível agrícola e de pescado. Os impostos pagos, a formação que foi feita às pessoas. Quando lêem este relatório e o que está documentado não acreditam que isso foi feito com menos de 40 milhões USD”, salientou.

RECOMENDAÇÃO. Antigo consultor de José Massano e membro do conselho de auditoria do banco central critica modelo de intervenção do FMI em Angola. E pede que, em vez de recomendações gerais, organismo apontasse mais soluções. FMI reage e diz que não é sua especialidade dizer como e onde Angola deve diversificar.

 

Reagindo às declarações de João Lourenço na semana passada, ex-chefe de Estado nega ter deixado cofres do país sem dinheiro. E lembra que, quando saiu, o BNA geria mais de 15 mil milhões USD em reservas internacionais. Eduardo dos Santos ainda deixou uma proposta de OGE, mas a equipa de novo PR descartou.