Angola prepara refinaria de ouro enquanto EUA reforçam aposta em minerais críticos africanos
Angola prepara a entrada em funcionamento, até ao final de 2026, da sua primeira refinaria de ouro, numa altura em que os Estados Unidos reforçam o apoio a projectos de minerais críticos em África, incluindo no país.
A infra-estrutura, financiada pela Endiama, localizada no Pólo Industrial de Viana, de acordo com o ministério dos recursos minerais, deverá, numa área de 3.789,95 metros quadrados com capacidade para processar até 25 quilogramas de ouro por dia, permitir a refinação, certificação e comercialização de ouro em território nacional.
A entrada em operação da unidade deverá ainda permitir a Angola reduzir a dependência de estruturas estrangeiras para o processamento do ouro, acrescentando valor à produção nacional e reforçando o controlo sobre a cadeia de comercialização do metal.
O projecto surge num contexto de expansão do mercado mundial do ouro. Em 2025, a produção global atingiu um recorde de 5.002 toneladas, enquanto África produziu cerca de 1.010 toneladas, correspondentes a aproximadamente 20% da produção mundial.
Minerais raros atraem financiamento norte-americano
A aposta angolana no processamento interno de minerais ocorre paralelamente ao aumento do interesse dos Estados Unidos pelos recursos minerais estratégicos africanos. Segundo a Reuters, a Corporação de Financiamento ao Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC) comprometeu 62,8 milhões de dólares para projectos de terras raras em Angola, Madagáscar, Malawi, Moçambique e África do Sul.
Até ao momento, nenhum dos projectos apoiados atingiu a fase de produção, e cerca de 50 milhões de dólares do financiamento foram destinados ao projecto Phalaborwa, na África do Sul, apoiado pela TechMet, empresa mineira sediada em Dublin.
Em Moçambique, a NeoTerra seleccionou a norte-americana Valentine Enterprises para liderar o estudo de pré-viabilidade do projecto de terras raras Monte Muambe, com financiamento da Agência dos Estados Unidos para o Comércio e Desenvolvimento (USTDA).
O estudo contará ainda com o apoio da SGS North America, especializada em metalurgia, testes minerais e engenharia de processos, e da New Dominion Consulting, nas áreas de cadeias de abastecimento, sustentabilidade, compras e operações.







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