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TENSÃO NO MÉDIO ORIENTE DISPARA BRENT PARA 87 USD 

Especialista alerta que subida do petróleo trará ganhos “insignificantes”

CRUDE. Referência às exportações angolanas atinge máximos históricos de sete anos, mas Angola deve tirar, temporariamente, pouco proveito, face ao impacto negativo da baixa produção.

 

Especialista alerta que subida do petróleo trará ganhos “insignificantes”

 

O especialista em energia e investigador do CEIC José de Oliveira minimiza os efeitos do aumento do preço do petróleo para a economia angolana, alertando que a tensão no Médio Oriente, que pressionou o crude, esta terça-feira, para máximos históricos de sete anos, com o Brent a situar-se nos 87,89 dólares, produzirá ganhos “insignificantes” para o caso angolano.

Oliveira justifica-se com o impacto negativo da baixa produção e apela para a necessidade de as autoridades criarem condições para o investimento das petrolíferas no sentido de se contornar a tendência decrescente da produção.

No entanto, outras leituras sugerem que o aumento do preço do petróleo deve ajudar Angola a escapar, pelo menos por algumas semanas, das perdas financeiras esperadas com o acordo alcançado na semana passada pela Organização dos Países Produtores de Petróleos e aliados (OPEP+), a partir de Fevereiro até Junho.

Na sequência do acordo, diversos especialistas estimaram recuo no preço do petróleo, admitindo impacto maior para Angola, devido ao défice de produção, face à quota a que o país tem direito.   

À luz da mais recente decisão, a produção máxima de Angola não deve ultrapassar os 1,421 milhões de barris/dia, registando-se um aumento de 15 mil barris/dia. No entanto, a produção efectiva tem estado muito abaixo da quota atribuída. Em Novembro, por exemplo, Angola produziu 1,120 milhões de barris/dia, menos 286 mil barris comparativamente aos 1,406 milhões a que tem direito. Em Dezembro, reduziu o ‘gap’ para 240 mil barris/dia, ao produzir cerca de 1,166 milhões de barris.

OPEP PREVÊ PROCURA“ROBUSTA”

A OPEP manteve, nesta terça-feira, a previsão de “crescimento robusto” da procura mundial em 2022, estimando que esta aumente 4,15 milhões de barris por dia (bpd), inalterada em relação ao mês passado. Segundo os dados do seu relatório de Janeiro, o consumo de petróleo ultrapassará a marca de 100 milhões de barris/dia, no terceiro trimestre. A organização lembra que, em termos anuais, o mundo consumiu, pela última vez, mais de 100 milhões de bpd em 2019.

Especialistas acreditam que a publicação do relatório também concorreu para o máximo histórico, alcançado nesta terça-feira.

Conflito afecta Golfo Pérsico

Depois de pouco mais de dois anos, o Médio Oriente voltou a ser palco de conflito entre rebeldes houthis, apoiados pelo Irão, e a coligação liderada pela Arábia Saudita. A imprensa internacional escreve que tudo começou com um ataque surpresa dos houthis, do Iémen, a Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, provocando três vítimas mortais. Abu Dhabi respondeu com raides aéreos sobre Sana, a capital do Iémen, tendo como alvos resguardos houthis. O conflito teve impacto directo no mercado petrolífero por afectar o Golfo Pérsico, zona estratégica e de onde sai cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente. Por norma, os rebeldes iemenitas têm como principais alvos infra-estruturas petrolíferas. A polícia de Abu Dhabi confirmou um incêndio, que levou à explosão de três petroleiros no Mussafah, de onde os EAU fornecem os seus clientes internacionais. A última grande tensão, na região, aconteceu em Setembro de 2019, quando se registou um ataque com drones que atingiram duas importantes infra-estruturas petrolíferas sauditas.