RUI CATALO, CEO DA CASA DOS FRESCOS

“Há mais supermercados do que árvores. Em qualquer esquina há um supermercado”

Por um lado, é de opinião que deve existir no mercado um equilíbrio entre a produção nacional e o importado, atendendo a produtos específicos em que o país nunca vai se tornar autossuficiente. Por outro, admite que, ainda não seja do agrado dos retalhistas, é necessário proteger a produção local. Acredita que existem todas as condições para produção de alta qualidade a custos mais baixos. Rui Catalo, CEO da Casa dos Frescos, em entrevista ao Valor Económico, analisa o sector retalhista onde ''todos os dias surgem novos concorrentes'' com preços que causam suspeições de dumping, e os desafios da integração regional.

“Há mais supermercados do que árvores. Em qualquer esquina há um supermercado”
DR

A Casa dos Frescos está há 26 anos no mercado angolano, tendo dado origem a um grupo com diferentes marcas. Qual tem sido o maior desafio neste percurso?

É um projecto de vida, que tem evoluído ao longo do tempo, e tentamos manter-nos o mais actualizados possível e ajustados ao mercado. Nestes anos todos, já vimos muitas marcas virem e irem embora. Umas venceram e outras nem tanto. Desafios há todos os dias; o importante é conseguir ultrapassá-los. A economia não ajuda. Estes últimos 10 anos não têm sido fáceis, mas estamos a lutar, fazendo o que é possível para continuar.

 A situação económica atrapalhou a expansão do negócio?

Não só a Casa dos Frescos sentiu isso; foi o país todo. Aliás, mundialmente é o que é. Temos de nos adaptar à realidade do mercado. Podemos dizer que estamos satisfeitos com o que estamos a fazer.

A adaptação fez com que não implementassem integralmente o plano estratégico de investimento?

Se essa pergunta fosse feita em 2016, provavelmente a resposta seria sim. Mas, em 2022, está dentro daquilo que estava planeado.

 A adaptação explica-se com a entrada no sector industrial?

Certo, foi parte disso. Em 2014 lançámos um projecto, e este tem crescido ao longo do tempo. Neste momento, a nossa estratégia é ser o mais industrial possível para suportar a parte do retalho. Estamos a inverter a base do negócio.



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