António Nogueira

António Nogueira

TELECOMUNICAÇÕES. Empresa refere que a aposta na área dos serviços diminui o recurso à importação de produtos, fazendo com que esteja somente focada na manutenção do ‘know-how’.

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A empresa de direito angolano ligada a soluções integradas no mercado de tecnologia de informação e comunicação Omnidata Trading deverá continuar a apostar na área dos serviços tecnológicos, no mercado nacional, no intuito de ‘fintar’ o impacto da crise económica que continua a assolar o país.

A estratégia foi avançada, ao VALOR, pelo director técnico da empresa, Mandela Barros, durante o ‘Fórum Omnidata’, realizado, na semana passada, em Luanda, para assinalar os 20 anos de existência da empresa no mercado angolano.

Segundo Barros, o balanço de 20 anos das operações da empresa, em Angola, “é positivo”, apesar da actual crise económica, atribuindo o “sucesso” à aposta na área de serviços de tecnologia integrada que, em muitos casos, dispensa o recurso à importação de produtos.

“Como muitas empresas, em Angola, a Omnidata também se ressente da crise, mas em proporções menores porque temos apostado na área dos serviços para driblar a crise. Nesta área, não dependemos grandemente da importação, mas sim de ‘know-how’, e isso nós temos”, assinalou Barros.

A fonte recusou-se, no entanto, a avançar números sobre o volume de facturação no ano passado, por “se tratar de um assunto fora da sua jurisdição”. Entretanto, o Valor apurou que, em 2015, a empresa registou um resultado de cerca de 7,7 mil milhões de kwanzas, o que representou um crescimento de 72%, face aos 4,5 mil milhões de kwanzas de 2014.

O CONTRIBUTO DO ANGOSAT

Referindo-se à anunciada entrada em operação do satélite angolano para breve, Mandela Barros enalteceu o investimento do Estado, salientando que vai “certamente” dinamizar, ainda mais, o mercado, em termos de capacidade de largura de banda. “Até ao momento, precisamos de meios como a fibra óptica para poder interligar as empresas e as pessoas mas, agora, o Angosat vai certamente ser um grande contributo para que possamos agregar ainda mais valor aos serviços que já prestamos ao mercado”, asseverou.

Em termos concretos, a empresa presta actualmente serviços tecnológicos na área de redes sem fios, redes de computadores, comunicação unificada, data storage, virtualização, backup e restauração, segurança de informação, entre outros.

Entre os seus principais clientes, destacam-se as duas operadoras de telefonia móvel, em Angola, nomedamente a Unitel e a Movicel. Mas a carteira de clientes estende-se também à banca, sendo o Standard Bank um dos principais ‘consumidores’ dos serviços da Omnidata ou ainda a nível do Governo, onde se destacam clientes como o Ministério das Pescas.

PETRÓLEO E GÁS. Empresa determinou esta segunda-feira, 31, como a data do termo para a recepção de candidaturas, visando mais um carregamento do gás natural liquifeito, produzido pelo Angola LNG. Novo carregamento deverá ter como destino países do Leste asiático.

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O projecto Angola LNG anunciou, na passada quarta-feira, a abertura de um concurso para um novo carregamento de gás natural liquifeito que deverá ocorrer entre os dias 1 e 3 de Agosto, noticiou, na semana passada, a imprensa internacional da especialidade, que cita fontes do mercado.

O concurso exige que as candidaturas que venham a ser submetidas à avaliação sejam enviadas à Angola LNG até esta segunda-feira, 31, devendo permanecer válidas até ao dia 2 de Agosto, segundo avança, no seu portal de internet, a S&P Global Platts, considerado um dos maiores fornecedores internacionais de informação e preços de referência para os mercados de petróleo e gás. As informações disponíveis não quantificam, no entanto, o volume de metros cúbicos que deverão ser transportados no carregamento previsto para Agosto.

Entretanto, as fontes contactadas adiantam que, para o carregamento em causa, estão previstas algumas restrições no destino de entrega, estando o processo dessa vez limitado a destinos como o leste do canal do Suez, no Egipto, para além do porto de Singapura. “Isso excluiria todos os terminais da Ásia do Norte, incluindo os da China, Taiwan, Japão e Coreia do Sul”, referem ainda as fontes contactadas pela S&P Global Platts, que realça, porém, não ter conseguido obter um esclarecimento junto do Angola LNG, por indisponibilidade dos responsáveis autorizados a falar sobre a matéria.

O último concurso aberto pela Angola LNG, para um carregamento programado para decorrer entre 22 e 24 de Julho, encerrou no passado dia 26 de Julho, mas o processo, segundo a imprensa especializada, terá decorrido na normalidade, no entanto, “sem restricções no destino de entrega”. Entretanto, os vencedores deste carregamento, em particular, não foram divulgados, assim como não foram igualmente revelados o volume de gás natural liquifeito transportado, no período em referência, de acordo com a S&P Global Platts.

O PROJECTO POR DENTRO

A Angola LNG é uma parceria liderada pelo grupo norte-americano Chevron, cujas instalações, no Soyo, foram construídas por outra companhia norte-americana, a Bechtel. O projecto tem registado uma série de paragens programadas e não-programadas, desde que retomou as exportações, em Junho de 2016, após uma paragem de dois anos para reparações de grande dimensão.

O primeiro carregamento de 160 mil metros cúbicos de LNG destinado ao Brasil foi entregue no terminal de regaseificação da Petrobras na baía de Guanabara, Rio de Janeiro, em Junho passado a bordo do navio-tanque Sonangol Sambizanga. O gás foi carregado no Sambizanga, um navio-tanque da empresa, entre os dias 3 e 5 do mesmo mês, numa altura em que o preço do gás natural registava uma queda de cerca de dois terços para menos de cinco dólares por cada milhão de BTU (“British Thermal Units”). Em Julho do ano passado, a Angola LNG Marketing previa exportar anualmente 5,2 milhões de toneladas de gás natural liquefeito em 70 carregamentos.

Além do gás natural liquefeito, a empresa, que assegura as operações comerciais do projecto Angola LNG, inclui na carteira de produtos a exportação de gases como propano, butano e condensados. A companhia assinou diversos acordos para a venda de gás natural liquefeito com empresas do sector energético em todo o mundo. Avaliado em 10 mil milhões de dólares, Angola LNG representa um dos maiores investimentos alguma vez efectuados na indústria petrolífera nacional, dispondo de sete navios-tanque e três cais de carregamento.

Lançado em 2007, para aproveitar o gás natural resultante da exploração petrolífera, o projecto reúne, além da Chevron (36,4%), a angolana Sonangol (22,8%) a britânica BP Exploration (13,6%), a italiana ENI (13,6%) e a francesa Total (13,6%).

CARREIRA. Todos eles alcançaram o topo do mundo dos negócios, hoje têm status de quase celebridades, forjam novas ideias e produtos e moldaram a forma como vivemos.

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Steve Jobs, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos, Elon Musk, Warren Buffet e Richard Branson são garantidamente alguns dos nomes que para aqui devem ser chamados. Mas, na verdade, o que eles têm em comum? Todos eles alcançaram o topo do mundo dos negócios, hoje têm status de quase celebridades, forjam novas ideias e produtos e moldaram a forma como vivemos. Quando especialistas estudam líderes excepcionais, conseguem apontar algumas características que parecem acompanhar o sucesso, como mostrou, num estudo recentemente divulgado, a revista Inc., especializada em matérias sobre gestão de empresas.

PODER DE DECISÃO

Uma das características então realçadas, no artigo em causa, tem que ver com o poder de decisão que é transversal aos seis CEOs. Diz o artigo que tomar decisões claras e rapidamente é melhor que demorar para tomar decisões perfeitas.

“Actualmente, essa regra vale mais do que nunca. O mundo se move a um ritmo frenético. Como mostraram os eventos recentes vividos pela United Airlines, as empresas (e os seus respectivos líderes) precisam reagir rapidamente para lidar com reclamações de consumidores”, acrescenta o estudo.

A análise lembra que é preciso entender que, nesse ponto, o tempo é um inimigo. Talvez não houvesse problema esperar uma semana ou duas para responder a um incidente similar ao vivido pela United em 1975. Mas em 2017, a informação é compartilhada em segundos com todo o mundo. Os melhores CEOs tomam decisões rapidamente e com convicção.

“Estipule um prazo, converse com seus conselheiros e colegas e tome uma decisão baseada na melhor informação que você tenha disponível”, aconselha o estudo.

PREPARE-SE PARA O IMPACTO

Outro conselho realçado no estudo, e que parece ser também uma característica comum nos CEOs acima descritos, refere que “ser um CEO é entender como é ser um líder efectivo e inspiracional. Você pode ser a pessoa mais inteligente do mundo, mas, se você não conseguir atrair os demais para uma causa, será difícil ter sucesso como CEO”. Nem todo mundo é um líder natural. Algumas pessoas precisam trabalhar nisso, e não há problema nisso. Primeiro, entenda o que os seus accionistas realmente querem (as prioridades) e siga em frente com foco em entregar os resultados, aconselha o estudo. O memso que adverte ainda aos CEOs a “deixar claro às pessoas que elas são importantes no processo e que farão parte da vitória. Afinal, negócios são esforços de equipa, e os melhores CEOs sabem como incentivar a acção colectiva e a busca pelo bem comum”.

“Mas lembre-se também de não evitar os conflitos a qualquer custo. Às vezes, o conflito é necessário na busca por negócios globais e desempenho excelente”.

ADAPTE-SE PROACTIVIDADE

Ainda que os CEOs sejam responsáveis por assegurar o sucesso no presente, os melhores líderes têm atenção firme no amanhã. Muitos costumam usar a palavra “visionário” para descrever essas características.

“De facto os melhores CEOs são aqueles que conseguem prever e moldar o futuro”, considera o estudo da revista Inc., que no entanto aconselha ao uso da dica de Steve Jobs que apela aos gestores a gastar 50% do seu tempo focados em objectivos de longo prazo.

Afinal, as metas de curto e médio prazo normalmente já estão estabelecidas (e as pessoas já estão a trabalhar nelas). Esta estratégia, segundo a revista especializada em gestão de empresas, permite que você melhore sua percepção das mudanças e consiga criar mais oportunidades para movimentos importantes.

Lembre-se que os melhores CEOs também lidam com erros. Como diz Elon Musk: “O fracasso é uma opção aqui. Se as coisas não estão a falhar, não há inovação suficiente”. O importante é saber aprender com o fracasso e como passar a mensagem à sua equipa.

ENTREGUE DE FORMA CONFIÁVEL

A última peça do quebra-cabeças pode não parecer grande coisa, mas é surpreendente quantos CEOs falham em entregar as promessas mais simples. “Antes de fazer qualquer coisa, certifique-se de que é possível entregar seus objectivos de forma confiável e consistente”, recomenda o estudo da Inc, realçando ainda que os “funcionários confiam em líderes previsíveis. Os seres humanos buscam ambientes em que se sentem seguros e confortáveis”.

“Isso não significa que você precisa ficar na zona de conforto. Assuma riscos. Mas lembre-se, quando se tratar do básico (comunicação corporativa, disponibilidade à equipa e objectivos financeiros básicos), tenha certeza de que você conseguirá alcançar os seus objectivos, e mantenha um grau de confiança que vai motivar a sua equipa”, concluiu o estudo.

MERCADO BOLSISTA. Tal como Isaac Newton, apelidado de ‘o pai da ciência moderna’ e de Adam Smith, baptizado como o ‘pai da ciência moderna’, Benjamin Graham foi apelidado como o ‘pai da ciência da avaliação de acções’.

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Muitos analistas questionam-se, ainda hoje, como é que o filho de um negociante londrino de porcelanas chegou a ser o primeiro guru de bolsas, sendo, inclusive, para alguns, o maior de sempre?

A resposta, no entanto, foi muitas vezes encontrada nos resultados conseguidos por Benjamin Graham. Para além de ter sido considerado “um destacado académico”, a sua sociedade, a Graham-Newman, ganhou quase 15% por ano em duas décadas.

De acordo com Jason Zweig, colunista do The Wall Street Journal, “antes de Graham, os gestores de activos comportavam-se como grémios medievais, guiados largamente pela superstição, adivinhação e rituais arcanos”.

O primeiro contacto com a bolsa foi provavelmente por volta dos 13 anos: após a morte do pai, a família enfrentou dificuldades e a mãe, ao recorrer a empréstimos para investir na bolsa, perdeu tudo no Pânico de 1907, que arrasou o mercado norte-americano.

Benjamin Graham conseguiu, no entanto, uma bolsa para estudar na Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Apesar de ter recebido convites de três departamentos – Inglês, Matemática e Filosofia – para se dedicar ao mundo académico após finalizar o seu curso, o jovem Graham, de 20 anos, optou por ingressar no mundo de Wall Street.

Começou como empregado de uma correctora de obrigações, passou a analista, depois sócio e, mais tarde, criou a sua própria firma, a Graham-Newman.

Reza a história que, na sequência da Quinta-Feira Negra de 1929, que marcou o início da Grande Depressão norte-americana, Benjamin Graham perdeu cerca de 70%, mas sobreviveu e saiu mais forte. Entre 1936 e 1956, o ano da sua aposentação, a sociedade Graham-Newman ganhou anualmente 14,7%, de acordo com a investigação de Jason Zweig.

Antes disso, em 1928, Graham tinha ingressado à Columbia para leccionar sobre investimento. Terá sido aí que orientou um jovem Warren Buffett, entre muitos outros grandes futuros investidores de bolsa. Buffett tornar-se-ia, mais tarde, seu empregado e amigo.

De acordo ainda com as investigações de Jason Zweig, terá sido em 1928 que Benjamin Graham surpreendeu o magnata John Rockefeller. Depois de investigar a Northern Pipe Line, uma das sociedades criadas através do desmembramento do império de Rockefeller, descobriu que a companhia tinha obrigações que valiam 95 dólares por acção, quando cada acção cotava na bolsa a 65 dólares.

A partir daí, teria demorado dois anos a conseguir que a maioria do capital fosse distribuída aos proprietários, encaixando uma boa mais-valia para a sua sociedade, que já era a segunda maior accionista.

Foi a sua experiência profissional e académica, aliada à sua natural inteligência, que o colocam no pódio dos gurus da bolsa, segundo defende Jason Zweig.

REVOGAÇÃO. Diploma estabelece que o visto de trabalho para trabalhadores não residentes “pode ser concedido até ao termo do contrato de trabalho, de acordo com a duração do contrato estabelecido entre o empregador e eventuais renovações”.

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Um novo decreto presidencial, que entrou em vigor este mês, determina que os trabalhadores estrangeiros em Angola, com o estatuto de não-residentes, vão passar a poder ter visto de trabalho válido até ao termo do contrato com o empregador.

Esta é a segunda alteração à legislação em vigor sobre trabalhadores estrangeiros não-residentes, facilitando a contratação, depois de retiradas, em finais de Abril último, as limitações ao tempo de contrato e do pagamento exclusivo em moeda nacional angolana.

Em concreto, esta nova alteração, neste caso à legislação de 2011, feita por decreto presidencial de 4 de Julho, estabelece que o visto de trabalho para trabalhadores não residentes “pode ser concedido até ao termo do contrato de trabalho, de acordo com a duração do contrato estabelecido entre o empregador e eventuais renovações”.

Por norma, a emissão de visto de trabalho pelas autoridades nacionais é válida por um ano, com possibilidade de duas prorrogações por igual período, até ao limite de três anos.

Sobre trabalhador estrangeiro não residente entende-se um cidadão de outra nacionalidade, que ,“não residindo em Angola, possua qualificação profissional, técnica ou científica, em que o país não seja auto-ssuficiente, contratado em país estrangeiro para exercer a sua actividade profissional em território nacional por tempo determinado”.

De acordo com uma notícia, avançada pela Lusa em Abril último, os limites impostos pelo Governo à contratação de trabalhadores estrangeiros não residentes, por um máximo de 36 meses e com pagamentos exclusivamente em kwanzas, duraram pouco mais de um mês, tendo sido revogados.

Em causa, está o decreto presidencial de 6 de Março, que a Lusa noticiou na altura, regulando o exercício da actividade profissional do trabalhador estrangeiro não residente, e que visava, segundo o texto do documento, regulamentar esta actividade, “de modo a permitir um tratamento mais equilibrado” entre nacionais e expatriados.

A versão inicial proibia o pagamento de salários em moeda estrangeira a estes trabalhadores, cabendo ao banco central decidir o montante das transferências para o exterior, mas foi abandonada com as alterações ao mesmo decreto, aprovadas pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

“A remuneração do trabalhador estrangeiro não residente é paga na moeda acordada entre o trabalhador e o empregador, podendo ser efectuado em moeda estrangeira”, lê-se na nova redacção da mesma legislação, com data de 24 de Abril, citada pela Lusa. Além disso, é definido igualmente que “a duração do contrato de trabalho” com trabalhadores estrangeiros “é livremente acordada entre o empregador e o trabalhador, podendo o contrato ser renovado duas vezes”.

Na anterior versão da legislação, que esteve em vigor por pouco mais de um mês, estava definido que o contrato de trabalho, ao abrigo deste regime, só podia ser “sucessivamente renovado até Ao limite de 36 meses” e que as empresas abrangidas só deviam contratar “até 30% de mão-de-obra estrangeira não residente”.

Os restantes 70% das vagas, uma obrigação que, no entanto, se mantém, deverão ser preenchidas “por força de trabalho nacional”, referindo-se este último a cidadãos angolanos e estrangeiros com estatuto de residente.

“A remuneração é paga em kwanzas, não devendo os complementos e demais prestações [ser] pagas directa ou indiretamente em dinheiro ou espécie, ser superior a 50% sobre o salário base”, determinava a anterior versão, que assim limitava a forma de pagamento a estes trabalhadores, nomeadamente o acesso à moeda estrangeira.

Estes trabalhadores continuam a não ser abrangidos pelo pagamento de impostos, mas a nova lei define, por outro lado, que caberá ao Banco Nacional de Angola definir os montantes e tectos máximos das transferências de salários para fora do país (em divisas), decorrentes do contrato de trabalho.