Canal do Suez bloqueado por cargueiro encalhado

200 mil toneladas entupiram as rotas comerciais marítimas

31 Mar. 2021 Valor Económico Gestão

Logística. Um pesadelo de gestão logística para muitas das empresas que dependem da travessia do canal egípcio que faz a ligação mais directa entre o continente asiático e o continente europeu. Pôs uma semana centenas de navios à espera de passar e muitas empresas a considerar a rota mais longa que obriga a dar a volta ao continente africano.

200 mil toneladas entupiram  as rotas comerciais marítimas

O Ever Given é um dos maiores navios porta-contentores do mundo, pesa 200 mil toneladas carregado com mais de 18 mil contentores, tem o tamanho do Empire State Building (102 andares), e encalhou no famoso Canal do Suez que é responsável pelo trânsito de 12% do comércio mundial.

Pertença da empresa Taiwanesa de shipping (transporte de contentores) Evergreen Marine, o Ever Given ficou atravessado no canal egípcio e a impedir que mais de 450 outros navios conseguissem passar. E, a contar uma semana de bloqueio muitas empresas tiveram de gerir e rearranjar rotas semanas mais longas e muito mais caras para dar a volta inteira ao continente africano e levar carga desde o continente asiático para a Europa.

O Canal do Suez é o mais longo do mundo com 193 quilómetros e leva 13 a 15 horas para atravessar desde Port Said no Mediterrâneo à cidade do Suez no Mar Vermelho. Foi construído entre 1859 e 1869 por investidores estrangeiros e já foi motivo de quase guerra quando em 1956 o presidente egípcio Gamal Nasser nacionalizou o canal que servia de travessia ao transito marítimo mundial. A medida foi considerada uma ameaça por Israel e os aliados conduziram uma intervenção militar e a um acordo supervisionado pelas Nações Unidas.

Em 2020 o governo egípcio encaixou 5.61 mil milhões de USD de receitas oriundas de cobranças pela travessia do Canal do Suez.

O Ever Given encalhado custou milhões de USD em seguros de transporte e em custos de resgate do navio que envolveu 14 barcos de resgate, e que para além do atraso da mercadoria que carrega, é agora responsável pelo atraso da chegada das mercadorias das centenas de outros navios que não puderam fazer a travessia do canal e por isso descumpriram compromissos contratuais.

E apesar de ter ficado livre hoje, pode levar meses a reparar o estrago causado, até onde se sabe de momento, por ventos, pouca visibilidade ou por erro humano. Um erro com dores de cabeça e custos elevados e que podia ser visto a partir do espaço por imagens de satélite. Um desafio à altura do próprio porta-contentores Ever Given

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