“O ambiente de negócios para investidores estrangeiros continua desfavorável”
Descreve o que considera melhorias da economia angolana, mas aponta desafios da diversificação económica, que o país não consegue ultrapassar, e critica o ambiente de negócios no país continua desfavorável para investidores estrangeiros. PCA da Jetour Angola, Benny Ying aponta também a insuficiência de infra-estruturas rodoviárias, energia eléctrica e recursos hídricos como factores que aumentam os custos de produção em vários sectores, quebrando a confiança dos investidores.
Como avalia a situação económica de Angola?
Após a pandemia, a economia angolana registou um crescimento moderado. Desde 2024, a recuperação tornou-se mais evidente. Os sectores do petróleo, gás natural e diamantes mantiveram-se relativamente estáveis, garantindo a estabilidade das receitas fiscais e das entradas de divisas. A dívida pública registou uma redução significativa, com uma diminuição contínua dos riscos associados ao endividamento. As reformas de diversificação económica alcançaram progressos significativos. Os sectores agrícola e industrial cresceram a um ritmo superior ao do sector petrolífero. As receitas fiscais provenientes de actividades não petrolíferas aumentaram substancialmente, aproximando-se, pela primeira vez, das receitas oriundas do petróleo. O ambiente de investimento registou melhorias, verificando-se um aumento do investimento estrangeiro e uma maior dinâmica económica. Mas a estrutura económica continua excessivamente dependente do petróleo, não tendo ainda ultrapassado o modelo económico assente num único sector. Consequentemente, a capacidade de resistência a choques externos permanece limitada.
E sobre o ambiente de negócios em Angola?
O ambiente de negócios para investidores estrangeiros continua desfavorável. Os processos administrativos são excessivamente burocráticos e a eficiência da administração pública é reduzida. Estes factores anulam parcialmente a atractividade proporcionada pelos abundantes recursos naturais de Angola, dificultando a captação de investimento estrangeiro e o rápido desenvolvimento de sectores económicos diversificados. A contínua desvalorização da moeda, as elevadas taxas de inflação, as altas taxas de juro e a fragilidade do sistema de crédito afectam negativamente a confiança dos consumidores e dos investidores. As insuficiências em infra-estruturas rodoviárias, energia eléctrica e recursos hídricos aumentam os custos de produção nos sectores agrícola, pecuário e pesqueiro e encarecem a logística de mercadorias. Além disso, os subsídios prolongados aos combustíveis consomem uma parte significativa das reservas em moeda estrangeira para atender às necessidades básicas da população. Num território com mais de 1,2 milhões de quilómetros quadrados, a criação de uma agricultura de base autossuficiente e a atracção de investimento e tecnologia estrangeira para desenvolver a indústria voltada para o consumo interno deveriam constituir uma prioridade. Todas as reformas devem ter como objectivo central garantir a sobrevivência e o bem-estar da população.
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