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A Agenda de Integridade

24 Jun. 2020 Opinião

A integridade é a característica que permite a uma empresa ter a confiança do mercado, sendo esta cada vez mais vista por colaboradores, clientes e terceiros como um indicador de sucesso e sustentabilidade. Por outro lado, com o aumento de exigência imposta pelos reguladores e o montante de perdas associado à fraude e à corrupção estimado em quatro triliões de dólares, o investimento que conduza a uma cultura íntegra pode ter um impacto muito positivo.

O impacto que a integridade terá nas empresas não se prende apenas com os resultados financeiros ou com a relação com os reguladores. Actualmente, o risco de as empresas verem a sua reputação danificada é cada vez maior, devido ao acesso e à partilha de informação. Uma vez que a geração mais jovem dá mais valor ao propósito e ao impacto social que a sua carreira profissional terá do que as gerações anteriores, empresas que se vejam envolvidas em escândalos de corrupção, fraude ou outros crimes podem ter dificuldade em recrutar e reter talento, o que pode comprometer o seu futuro.

Muitas empresas começaram já a investir no sentido de se tornarem mais íntegras, mas sentem muitas dificuldades em pôr em prática o que são os seus ideais. De forma a dar reposta às dificuldades sentidas pelas empresas e de minimizar a exposição aos riscos, a EY desenvolveu a Agenda da Integridade. A implementação desta metodologia, apoiada em quatro pilares – Governance, Cultura, Controlos e Data-based insights – permitirá às empresas colocar os seus princípios de integridade em prática e incorporá-los na organização.

Governance refere-se à estrutura de integridade e ética, bem como às políticas que definem os princípios pelos quais os membros da empresa se devem reger. A administração da empresa assume um papel preponderante nesta área, porque são as suas palavras e acções que orientam o comportamento dos restantes colaboradores. As organizações com uma cultura íntegra aplicam as mesmas regras a todos os colaboradores e não implementam políticas que possam incentivar comportamentos anti-éticos.

A Agenda de Integridade propõe um modelo de três linhas de defesa, que versa sobre a administração, o compliance e a auditoria interna. Este modelo ajuda a definir papéis e a atribuir responsabilidades. A administração deve ser responsável por gerir e controlar o risco. O compliance deve avaliar e controlar a aplicação dos princípios de integridade e a auditoria deve providenciar uma análise independente à administração, que conclua acerca da efectividade da gestão de risco e protocolos de controlo.

A metodologia desenvolvida pela EY incentiva ainda a administração a considerar os riscos legais e éticos associados ao seu modelo e estratégia de negócio. Os riscos podem surgir da aquisição de empresas, da relação com empresas ou fornecedores ou mesmo da expansão para outro país.

A cultura é o segundo pilar da Agenda de Integridade e foca-se no desenvolvimento de uma cultura que assegure o sucesso a longo prazo da empresa. Estudos mostram que a fraude não é um acto espontâneo ou consciente, mas sim uma acção que nasce de uma pequena infracção e que vai crescendo. A nossa experiência em casos de corrupção e fraude corrobora estas observações.

De forma a prevenir a ocorrência desses crimes, a empresa deve concentrar-se em criar um ambiente que promova a integridade e ética. O incentivo à comunicação transparente entre colaboradores e a administração, caracterizada por uma cultura de partilha livre de repercussões e de interesse genuíno pelas opiniões de cada colaborador, é fundamental para diminuir o risco de fraude e corrupção. Uma forma de tornar a comunicação mais transparente é a criação de canais de denúncia, através dos quais as pessoas possam denunciar actos fraudulentos de forma anónima e segura.

Os controlos são os mecanismos que incorporam a integridade nas operações diárias da empresa e a defendem de diversos riscos. A adopção da Agenda de Integridade neste campo implica uma série de intervenções. A primeira prende-se com o desenvolvimento de sistemas que acompanhem e implementem as novas regulações do sector. A segunda está relacionada com processos de diligência conduzidos a terceiros e a última com sistemas que assegurem que a empresa pode confiar nos seus fornecedores e parceiros.

A tecnologia pode melhorar os controlos da empresa através da criação de um sistema que não permita prosseguir com o processo sem que o último passo tenha sido revisto e aprovado. No entanto, é importante a empresa assegurar que este processo é ágil, sob pena de frustrar os colaboradores. Este sentimento pode levar à adopção de comportamentos antiéticos, deturpando o objectivo por detrás da implementação deste controlo. Apesar de a tecnologia ajudar a tornar os controlos mais eficazes, a empresa não deve confiar cegamente nestes sistemas, dado que, com o tempo, alguns colaboradores podem arranjar forma de os contornar.

O último pilar da Agenda de Integridade diz respeito a Data-based insights e debruça-se sobre a potencialidade da análise de dados para fornecer informação acerca dos riscos a que a empresa está exposta. Muitas empresas apostam já em actividades que possam levar à diminuição do risco de ocorrência de fraude ou corrupção. Contudo, poucas analisam o impacto deste tipo de iniciativas no comportamento dos seus colaboradores, pelo que não conseguem avaliar se o investimento tem um efeito positivo na cultura da empresa.

A Agenda de Integridade sugere que as empresas comecem a definir parâmetros que lhes permitam avaliar o impacto das iniciativas. Por outro lado, as entidades devem apostar no desenvolvimento de programas de compliance apoiados na análise de dados, que sejam desenhados com base no entendimento do contexto de negócio e dos riscos associados e ainda na forma como estes riscos se traduzem nos dados. Estas duas medidas podem revelar-se essenciais na criação de perfis de risco e na escolha de iniciativas que promovam a integridade.

Em suma, a integridade é uma característica fundamental para uma empresa, já que está associada a melhores resultados financeiros, crescimento e retenção de talento. No entanto, a manutenção é cada vez mais difícil, visto que a era digital e a globalização aumentam a exposição a fontes de risco. Embora as empresas tenham começado a investir para tornar as organizações mais resilientes, muitas sentem dificuldades em pôr em prática os ideais e a incorporar os princípios na organização.

 Com vista a responder a estas dificuldades e a apoiar as empresas a tornarem-se mais íntegras, a EY desenvolveu a Agenda de Integridade. Esta metodologia que se apoia em quatro pilares – Governance, Cultura, Controlos e Data-based insights – permitirá às empresas criar uma estrutura de governance íntegra a partir do modelo de três linhas de defesa, fomentar uma cultura de transparência, desenhar controlos que incorporem a integridade nas suas operações e identificar e monitorizar os principais riscos a que estão expostas.