conferência pública promovida pela organização Friends of Angola

Carlos Rosado elogia transparência das privatizações, mas avisa que resultados económicos continuam aquém

O economista Carlos Rosado afirmou esta quarta-feira que o programa de privatizações em Angola foi conduzido com um nível de transparência sem paralelo no país. No entanto, alertou que os resultados económicos continuam aquém dos objectivos anunciados, sublinhando que o verdadeiro problema reside nas perdas financeiras assumidas pelo Estado.

Carlos Rosado elogia transparência das privatizações, mas avisa que resultados económicos continuam aquém
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Durante a sua intervenção numa conferência pública promovida pela organização Friends of Angola, o especialista explicou que a principal questão não é a alienação de activos em si, mas sim os avultados montantes investidos anteriormente pelo erário público em empresas que acabaram por ser vendidas por valores francamente inferiores.

O economista frisou que um dos objectivos do programa de privatizações era o de reduzir o peso do Estado na economia. Contudo, considerou que esse resultado não foi alcançado. “Na realidade, o peso do Estado hoje é maior do que era”, destacou, ressalvando que o aumento não resulta directamente das privatizações, mas do processo de recuperação de activos.

Segundo o economista, antes de se questionar o valor pelo qual as empresas foram privatizadas, é necessário perceber quanto dinheiro público foi inicialmente aplicado na sua construção e qual era o seu verdadeiro valor económico posteriormente, chamando a atenção para o problema a partir da sua origem. 

A título de exemplo, o economista  citou as indústrias  têxteis, cujo investimento, segundo ele, terá atingido cerca de 1,4 mil milhões de dólares. O economista esclareceu que, em rigor, algumas dessas operações não correspondem a privatizações, mas a concessões de gestão, com possibilidade de compra pelo operador ao fim de dez anos. Segundo explicou, quando se concede a exploração de um activo por dez anos e se estabelece uma opção de compra no final desse período, “isto também não é dinheiro que entrou”.

A própria experiência das empresas têxteis, acrescentou, demonstra a dificuldade de transformar activos públicos deficitários em unidades economicamente eficientes. “Elas não funcionaram no Estado e também não funcionaram no sector privado”, declarou.

O economista questionou ainda os valores apresentados como receitas das privatizações. Segundo os dados referidos durante a conferência, o programa terá permitido um encaixe de aproximadamente 1,6 mil milhões de dólares. Carlos Rosado, porém, chamou a atenção para a natureza de algumas operações incluídas nesse montante.