PRIMEIRA EDIÇÃO EM ANGOLA

Dez organizações do mercado angolano distinguidas pela valorização do capital humano

Gestão. Cerca de 130 empresas foram avaliadas na primeira edição da Gala Elite Employer Angola, mas apenas 10 receberam distinção pelo investimento e valorização do capital humano. Iniciativa, promovida pela Tempus Global Group, terá periodicidade anual.

Dez organizações do mercado angolano distinguidas pela valorização do capital humano
Santos Samuesseca

Dez organizações empresariais que actuam no mercado angolano, nos sectores bancário, industrial, segurador e de serviços, foram distinguidas na primeira edição da Gala Elite Employer Angola, pelo investimento e pelas práticas de valorização do capital humano.

Promovida pela Tempus Global Group, a iniciativa pretende reconhecer as empresas que mais se destacam em áreas como compensação e benefícios, desenvolvimento de carreira, cultura organizacional, ambiente de trabalho e equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

Ao todo, cerca de 130 organizações foram avaliadas, mas apenas 10 conseguiram cumprir os critérios estabelecidos pela organização. Foram distinguidos o BPC, BFA, Griner, ITGEST, Promasidor, Protteja Seguros, Pumangol, Catoca, Sogester e Solevo.

Segundo Felipe Fabel, director de Operações e Relacionamento com Clientes da Tempus Global Group, o número reduzido de empresas seleccionadas resulta do elevado nível de exigência dos critérios utilizados.

“A nossa expectativa é que as empresas, conhecendo mais a respeito disso, participem mais, comparando-se como elas em relação a outras se posicionam no mercado, de uma forma a melhorar o ambiente de trabalho na sua organização para poder atrair mais talentos”, explicou.

Para serem elegíveis à premiação, as empresas tiveram de participar num inquérito destinado a avaliar diferentes dimensões da gestão do capital humano, entre as quais compensação e benefícios, carreira, ambiente de trabalho e equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

A organização pretende que o prémio seja realizado anualmente, permitindo às empresas acompanhar a evolução das suas políticas e práticas de gestão de pessoas ao longo do tempo.

De acordo com Felipe Fabel, a iniciativa pretende também contribuir para uma mudança na forma como as empresas tomam decisões relacionadas com os trabalhadores.

“Antes as empresas tomavam decisões baseadas em políticas que vinham de fora. Actualmente, o que queremos fazer é trazer dados, porque com mais informações elas vão conseguir evoluir de uma forma mais científica no quesito de melhorar o ambiente de trabalho e trazer benefícios certos”, defendeu.

O responsável considera que a disponibilização de dados sobre o mercado permitirá às organizações conhecer melhor a sua posição face às demais empresas e identificar áreas que precisam de ser melhoradas. Entre as empresas distinguidas está a Griner, do sector da construção civil. Para Silvio Gonçalves, director de Recursos Humanos da empresa, o reconhecimento representa a valorização do trabalho desenvolvido na gestão do capital intelectual e no fortalecimento da cultura organizacional.

“A distinção representa a valorização de um trabalho que temos estado a fazer no desenvolvimento da gestão do capital intelectual e também da cultura organizacional”. O responsável aponta, por outro lado, a capacitação dos trabalhadores como um dos principais desafios enfrentados pela empresa.

Segundo Silvio Gonçalves, o sector da construção civil emprega muitos trabalhadores sem qualificação formal, incluindo ajudantes de produção, o que obriga as empresas a investir continuamente na formação dos seus quadros.

A realidade do sector é ainda agravada, segundo o gestor, pelas características dos contratos de trabalho. Na construção civil, muitos contratos são celebrados por tempo determinado e dependem da duração dos projectos, uma realidade que exige uma gestão mais rigorosa dos recursos humanos.

“O sector da construção civil em Angola é muito desafiante, pois as modalidades de contratos são muito diferentes das outras, normalmente por tempo determinado, dependendo dos trabalhos a serem feitos. Então, exigem uma gestão muito forte”, explicou.

A Sogester também esteve entre as organizações distinguidas. Para Vaneza Sumbo, gestora de Compensação da empresa, o reconhecimento demonstra a importância atribuída aos colaboradores. “As pessoas são o nosso maior foco, então é preciso capacitá-las e motivá-las, porque elas fazem funcionar o nosso negócio. Este prémio veio reconhecer a importância que damos aos colaboradores”.

A gestora considera que a formação técnica deve merecer maior atenção no país, sobretudo entre os jovens, por entender que este tipo de qualificação responde directamente às necessidades das empresas.

Um dos aspectos considerados mais relevantes actualmente na gestão do capital humano é o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

Dados da Pesquisa Nacional de Benefícios e Gestão de Capital Humano, em Angola, citados durante a gala pela organização, indicam que apenas 10% das organizações possuem programas de assistência, enquanto a meta apontada é de 60%.

A diferença evidencia, segundo Felipe Fabel, o espaço que ainda existe para o desenvolvimento de políticas de apoio aos trabalhadores nas empresas angolanas.

Além da distinção, todos os participantes tiveram acesso ao SAUS, um programa de apoio ao colaborador disponibilizado durante 30 dias. A plataforma oferece assistência nas áreas social, financeira e psicológica.

O serviço pode ser acedido através de uma aplicação, WhatsApp, plataforma Web e também por chamada telefónica.

A Gala Elite Employer Angola, que decorreu a 3 de Setembro, no Hotel Epic Sana, em Luanda, representa a primeira edição da iniciativa no país. Antes de chegar a Angola, o programa já tinha realizado cinco edições em Moçambique.

A organização pretende manter a premiação em Angola numa base anual, recorrendo ao inquérito para permitir que as empresas acompanhem a evolução das suas práticas de gestão de pessoas.

A expectativa é que a divulgação de dados e a comparação entre organizações contribuam para uma gestão do capital humano cada vez mais baseada em evidências e para a melhoria das condições oferecidas aos trabalhadores no mercado angolano.