Cimeira Extraordinária da União Africana

João Lourenço alerta para cobiça externa sobre recursos africanos e exige reacção da União Africana

O Presidente da República denunciou a existência de disputas pelo controlo dos recursos estratégicos africanos, com destaque para o petróleo, o gás natural, os minerais e as terras raras, defendendo maior unidade e autonomia do continente para prevenir conflitos, proteger os seus interesses e garantir condições para o desenvolvimento.

João Lourenço alerta para cobiça externa sobre recursos africanos e exige reacção da União Africana


 A posição foi manifestada durante a Cimeira Extraordinária da União Africana, numa intervenção no espaço reservado aos campeões africanos para diferentes temáticas. Na qualidade de Campeão para a Paz e Reconciliação em África, João Lourenço apresentou um quadro sobre os principais desafios de segurança que afetam o continente.

De acordo com João Lourenço, o continente africano está a assistir a uma crescente disputa pelo controlo das principais fontes energéticas e de outros recursos estratégicos, num contexto que classificou como de “mais descarada violação do Direito Internacional”. 

Na intervenção, João Lourenço afirmou que, para atingir os seus interesses, diferentes actores procuram fragilizar as instituições e as sociedades africanas, através da criação e do incentivo de divisões internas. Na sua perspectiva, essas divisões podem degenerar em conflitos e guerras.

O Chefe de Estado defendeu que as fragilidades internas dos países africanos não devem comprometer a capacidade colectiva do continente para prevenir e resolver os conflitos que continuam a afectar várias regiões. Para João Lourenço, a resposta passa pelo reforço da unidade africana e pela capacidade de os próprios países encontrarem soluções para os problemas que afectam o continente.


A unidade, sustentou, é necessária para transformar África num pólo de estabilidade, progresso e desenvolvimento e permitir que o continente responda às necessidades globais em recursos energéticos, alimentares e outros bens que vêm adquirindo importância estratégica.

Apesar da dimensão dos recursos disponíveis, o chefe de estado  apontou que África continua a desperdiçar vidas, recursos e oportunidades em conflitos que, em muitos casos, poderiam ter sido prevenidos ou resolvidos antes de atingirem a dimensão actual.

João Lourenço considerou, entretanto, que o continente dispõe de instrumentos próprios para responder às crises. Entre os mecanismos citados estão a Arquitectura de Paz e Segurança Africana, o Conselho de Paz e Segurança, o Sistema Continental de Alerta Rápido e o Painel dos Sábios, além dos mecanismos regionais de prevenção e mediação, dos instrumentos de sanções e da Força Africana em Estado de Alerta.

A existência destes mecanismos, segundo o Presidente, permite ao continente dispor de instrumentos para prevenir e resolver conflitos, mas exige capacidade colectiva para os utilizar de forma eficaz.

“A paz é a única condição que permite realizar todas as ambições e aspirações do nosso continente”, afirmou João Lourenço, ao associar directamente a estabilidade à concretização das metas económicas e de integração regional de África.