INICIATIVA DO BLOCO DEMOCRÁTICO

Oposição prepara coligação para disputar alternância política em 2027

Bloco Democrático, PPA, PDP-ANA e PNCA estão entre as forças envolvidas na iniciativa, que pretende congregar partidos e organizações da sociedade civil num projecto eleitoral comum

Oposição prepara coligação para disputar alternância política em 2027
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Várias forças da oposição preparam a criação de uma coligação eleitoral com vista às eleições gerais de 2027, numa estratégia que procura juntar diferentes partidos e organizações em torno de um projecto comum de alternância política. A iniciativa é liderada pelo Bloco Democrático (BD) e envolve, entre outras formações, o Partido Pacífico Angolano (PPA), o Partido Democrático para o Progresso da Aliança Nacional Angolana (PDP-ANA) e o Partido Nacional de Camponeses e Agricultores de Angola (PNCA).

Em declarações à Rádio Essencial, o secretário-geral do Bloco Democrático, Muata Sebastião, defendeu que a estratégia resulta da necessidade de juntar forças para enfrentar o processo eleitoral de 2027. Segundo o político, a alternância não deverá ser alcançada por uma única força, sendo necessária uma convergência de posições para garantir maior capacidade de intervenção no processo eleitoral.

Muata Sebastião considera, por outro lado, que o actual contexto político não reúne condições normais para uma disputa eleitoral. Na sua avaliação, as instituições do Estado não funcionam com a independência necessária, o que condiciona a participação dos diferentes actores políticos.

“Para nós, a situação de 2027 não é uma situação normal, porque nós não estamos num contexto de democracia e com instituições funcionais”, afirmou.

O dirigente sustenta ainda que a iniciativa procura responder ao sentimento de parte da sociedade angolana favorável à alternância política. Nesse sentido, defende uma concertação entre as forças da oposição e uma abordagem conjunta do processo eleitoral, de modo a reforçar a defesa do voto e a participação dos eleitores.

“É preciso que se juntem as forças, se juntem as perspectivas de abordagem do processo eleitoral”, afirmou Muata Sebastião, acrescentando que o objectivo é criar condições para que diferentes vontades políticas possam ser traduzidas no processo eleitoral.

O Bloco Democrático pretende ainda convidar outras forças políticas, individualidades e organizações da sociedade civil para integrarem as discussões sobre a estratégia eleitoral, defendendo que a iniciativa constitui um projecto nacional e inclusivo.

“O convite será feito para todos”, afirmou Muata Sebastião, acrescentando que o projecto visa “congregar e dar voz a todos” e deverá funcionar nos termos da Lei dos Partidos Políticos.

BD rejeita cenário de isolamento

A iniciativa surge depois de em Junho, o Bloco Democrático ter rejeitado as informações que apontam para um alegado isolamento político e para o risco de extinção jurídica da formação.

O partido assegurou, na altura, que mantém uma estratégia “perfeitamente delineada” no quadro das articulações com vista às eleições gerais de 2027, processo no qual pretende garantir a sua participação.

O BD não concorreu às eleições gerais de 2022 enquanto força eleitoral autónoma, depois de ter sido afastado da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), na sequência da suspensão, em 2021, da sua participação na coligação e da não renovação do acordo de participação eleitoral.

Na altura, o Bloco Democrático apoiou politicamente a iniciativa denominada Frente Patriótica Unida (FPU), que juntava a UNITA, o Bloco Democrático e o PRA-Já Servir Angola. Contudo, a FPU não se constituiu juridicamente como uma plataforma eleitoral ou coligação de partidos para efeitos da apresentação de uma candidatura conjunta às eleições de 2022.

Para 2027, o BD procura, assim, uma solução de natureza formal que permita às diferentes forças envolvidas concorrerem dentro do quadro legal previsto para as eleições gerais, procurando transformar a convergência política numa estrutura eleitoral capaz de disputar a alternância.