BAD identifica dívida e inflação como principais entraves ao desenvolvimento da África Oriental
PReVISÃO. Instituição financeira adverte que uma eventual subida dos preços internacionais da energia, dos custos do transporte marítimo e novas oscilações das taxas de câmbio poderão reduzir a margem de actuação dos bancos centrais, dificultando a adopção de políticas monetárias mais expansionistas e prolongando o actual ciclo de inflação em alta.
A alta inflação, o agravamento dos défices fiscais, o crescimento da dívida externa e a redução do espaço orçamental para investimentos públicos ameaçam a estabilidade económica da África Oriental, apesar de a região continuar a liderar o crescimento económico em África.
No relatório East Africa Economic Outlook 2026, divulgado esta terça-feira, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) alerta que a desvalorização das moedas, a escassez de divisas, os conflitos armados, os choques climáticos e as tensões geopolíticas continuam a pressionar as economias da região, podendo atrasar o processo de desaceleração da inflação e comprometer as perspectivas de crescimento nos próximos anos.
Apesar de prever uma redução gradual da inflação regional, o BAD estima que a taxa média permaneça em 12,4% em 2026, acima dos 15,3% registados em 2025 e ainda superior às médias projectadas para todas as restantes regiões africanas. A instituição considera que Sudão, Sudão do Sul, Burundi e Etiópia continuarão a ser os principais focos de pressão inflacionista, devido às persistentes dificuldades cambiais, à insuficiência de reservas internacionais, às perturbações provocadas pelos conflitos e aos desequilíbrios macroeconómicos.
O relatório adverte igualmente que uma eventual subida dos preços internacionais da energia, dos custos do transporte marítimo e novas oscilações das taxas de câmbio poderão reduzir a margem de actuação dos bancos centrais, dificultando a adopção de políticas monetárias mais expansionistas e prolongando o actual ciclo de inflação em alta.
No plano das contas públicas, o BAD observa uma inversão da tendência de consolidação fiscal registada nos últimos anos. Depois de o défice orçamental regional ter diminuído para 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, impulsionado pelo aumento das receitas internas e pela recuperação da actividade económica, estima-se que volte a aumentar para 3,8% em 2025 e para 4,2% em 2026.
Segundo o banco, a pouca capacidade de arrecadação de receitas continua a ser um dos maiores obstáculos ao equilíbrio das finanças públicas na região. A elevada informalidade económica, a reduzida base tributária e as fragilidades na administração fiscal restringem a capacidade dos governos para financiar investimentos e responder às crescentes necessidades sociais, obrigando vários países a recorrer ao endividamento.
A dívida externa constitui outro dos factores de maior preocupação, com a instituição a estimar que o rácio da dívida externa da região aumente de 54,2% do PIB em 2024 para 55,8% em 2025, reflectindo condições de financiamento internacional mais restritivas e custos de endividamento mais elevados. Entre os países continentais, o Ruanda deverá registar o nível mais elevado, passando de 82,9% para 90% do PIB, enquanto a Etiópia verá o seu rácio aumentar de 23,8% para 33,9%. Apesar da redução prevista para o Quénia, de 69,7% para 64,9% do PIB, o país continua entre as economias mais expostas ao peso da dívida.
O BAD considera que o aumento dos encargos com a dívida está a reduzir significativamente o espaço fiscal disponível para despesas de desenvolvimento. O relatório chama particularmente a atenção para Uganda, Tanzânia, Burundi e Sudão do Sul, onde os pagamentos de juros da dívida já superam as despesas públicas com a saúde. Para o banco, esta realidade demonstra que o crescente peso do serviço da dívida está a deslocar recursos que poderiam ser aplicados no desenvolvimento do capital humano e na melhoria dos serviços públicos essenciais.








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