medida visa reforçar substancialmente a protecção dos sistemas de informação

Governo injecta 4,6 milhões de dólares para blindar plataformas públicas contra ciberataques

O Governo vai aplicar 4,6 milhões de dólares no lançamento do Programa de Cibersegurança do Governo Digital. A medida visa reforçar substancialmente a protecção dos sistemas de informação, salvaguardar as infra-estruturas críticas e blindar os dados que sustentam os serviços públicos digitais. 

Governo injecta 4,6 milhões de dólares para blindar plataformas públicas contra ciberataques

A verba e as directrizes do projecto foram formalizadas através de um despacho presidencial, documento que autoriza também a abertura imediata de um concurso público internacional para a aquisição dos serviços especializados de execução do programa.

De acordo com o documento, a iniciativa integra o Projecto de Aceleração Digital de Angola (PADA), financiado no âmbito de um acordo entre o Estado e o Banco Mundial, e pretende reforçar a segurança dos serviços digitais do Estado através da avaliação da maturidade da cibersegurança, da definição de estratégias de protecção dos sistemas públicos e da criação de mecanismos para salvaguardar as infra-estruturas críticas de informação, incluindo ainda a implementação de um Centro de Operações de Segurança, com capacidade de protecção e resposta a incidentes.

A decisão de João Lourenço ocorre numa altura em que diferentes plataformas e instituições angolanas têm enfrentado episódios relacionados com segurança informática. A autorização do Presidente da República acontece depois do ataque cibernético sofrido pela Unitel, a 28 de Agosto, que afectou os serviços móveis de voz, dados e acesso à Internet em todo o território nacional, atingindo clientes particulares e empresariais.

Outro episódio ocorreu em Maio de 2025, quando o grupo CyberTeam, que se apresenta como “Exército Cibernético da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”, anunciou um ataque à Assembleia Nacional.

Na altura, o grupo alegou ter acedido aos sistemas do Parlamento e afirmou ter invadido outras instituições angolanas, entre as quais os ministérios das Finanças e do Interior e o Instituto Nacional de Estatística. 

Suspeito extraditado de Portugal

Mais recentemente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciou a extradição de Portugal para Angola do cidadão angolano Fernando Nunes Correia, suspeito de integrar uma organização criminosa responsável por ataques cibernéticos contra um banco nacional. Segundo o Serviço de Investigação Criminal (SIC), que investigou o caso, o suspeito terá criado as condições que permitiram o acesso remoto aos sistemas da instituição por parte da rede criminosa.

Segundo o SIC, a investigação permitiu ainda identificar uma organização composta por cidadãos nacionais e estrangeiros, de nacionalidade nigeriana, costa-marfinense, beninense e libanesa, dos quais dez cidadãos se encontram em prisão preventiva, estando o serviço a prosseguir as diligências para localizar outros suspeitos em Angola.