CRISE HUMANITÁRIA

Seca e conflitos deixam 6,5 milhões de somalis em insegurança alimentar

27 Aug. 2026 Valor Económico África

Cortes na ajuda internacional ameaçam agravar a crise alimentar, com cerca de 1,8 milhões de crianças menores de cinco anos entre os afectados.

 Seca e conflitos deixam 6,5 milhões de somalis em insegurança alimentar
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Mais de 6,5 milhões de pessoas enfrentaram insegurança alimentar na Somália nos primeiros três meses de 2026, agravada pela seca, conflitos e instabilidade política.

Segundo dados da Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, a crise foi agravada pela seca registada entre Outubro e Dezembro de 2025, depois de dois anos de chuvas que haviam permitido alguma recuperação, e que Entre os 6,5 milhões de afectados estão 1,8 milhões de crianças menores de cinco anos, das quais cerca de meio milhão enfrentam desnutrição grave.

Cerca de quatro milhões somalis encontram-se em situação de emergência alimentar, sobretudo nas regiões centro-sul do país, onde a escassez de água agravou as condições de vida de agricultores, pastores e deslocados, comprometendo a agricultura e a pecuária de subsistência, principais meios de sobrevivência das comunidades afectadas, e aumentando o risco de fome em várias regiões da Somália

Entretanto, apesar da instauração desta crise, a resposta humanitária ao país enfrenta uma redução significativa dos recursos disponíveis. Ross Smith, director de preparação e resposta a emergências do PMA (Programa Mundial de Alimentaçã), alertou que a assistência alimentar da organização poderá terminar em breve, caso não sejam disponibilizados novos financiamentos.

A violência e os deslocamentos internos continuam a pressionar as comunidades mais vulneráveis, enquanto o aumento dos preços dos alimentos importados reduz o acesso das famílias à alimentação. Para o PMA, a combinação entre seca, conflito, deslocamento e falta de financiamento coloca a Somália perante uma nova emergência humanitária, e o alerta já foi feito pela Orgasnização das Nações Unidas, chamando atenção para a dimensão da crise e para a necessidade de uma resposta internacional urgente.