Evaristo  Mulaza

Evaristo Mulaza

Por que e quando um Presidente pode ser vaiado? Um Presidente pode e deve ser vaiado quando recebe um país com ciclos eleitorais estáveis, mas, ao ver aproximar-se o fim do seu tempo, alimenta o caos político total. Ora insinuando, por omissão, que não sai de jeito nenhum. Ora determinando, por palavras, que cabe a ele e apenas a ele decidir a escolha do Presidente que se segue, ignorando as eleições gerais consagradas na Constituição e as múltiplas candidaturas cristalizadas no estatuto do seu partido.

Conhecida como crítica das políticas fiscais do país, a empresária defende a necessidade de integrar os serviços dos diferentes departamentos ministeriais que, no seu entender, têm contribuído para o desperdício de recursos e duplicação de projectos. Filomena Oliveira mostra-se indignada com as acções da AGT e diz que parece ser contra os interesses do país por contribuir significativamente para a asfixia e encerramento de muitas pequenas e médias empresas.

Stéphane Doppagne, o embaixador do Reino da Bélgica em Angola, apontou a realidade dramática sobre o investimento estrangeiro à vista de todos. Ou seja, de quase todos, já que aparentemente o Governo se recusa a enxergá-la. A mensagem, na entrevista ao Valor Económico na semana passada, é inequívoca. Os investidores belgas, apesar de reconhecerem potencialidades no país, não estão dispostos a arriscar o seu capital em Angola. Verbalizam, curto e grosso, que o nosso país não tem condições para atrai-los. Stéphane Doppagne preocupou-se em restringir-se aos investidores do seu país. É diplomaticamente compreensível que o tenha feito. A verdade, todavia, é que não há nada que tenha dito a respeito que não tivesse sido já alertado por outros representantes diplomáticos do Ocidente. Com rigor e frieza, o embaixador belga até foi condescendente. Ficou-se pelos riscos de natureza económica entre os de cariz estrutural e os de dimensão conjuntural. Instabilidade cambial, acesso restrito às divisas, dificuldades de repatriamento de capitais, diferença de cultura empresarial, etc... etc... 

Chegou a Angola há pouco mais de dois anos e, apesar de ter encontrado um país diferente do que tinha idealizado, garante que mantém o entusiasmo. Ainda assim, é curto e objectivo ao apontar as dificuldades de atracção de investidores belgas. “É muito difícil”, avisa, por causa da “insegurança” em relação ao futuro económico do país. Stéphane Doppagne toca directamente na crise social que devasta o país e nos terríveis acontecimentos da última semana de Julho, avisando que as autoridades têm de ouvir o “grito do povo”.    

Entre a declaração de Adalberto Costa Júnior e o comunicado final da reunião do Conselho da República, desta segunda-feira, há um distanciamento quilométrico. As diferenças são visíveis nas questões de substância. Notam-se no conteúdo, mas também no tom e na forma.