Valor Económico

Valor Económico

O Tribunal Constitucional concluiu ontem (12) haver fortes indícios de falsificação dos documentos de prova apresentados pelo Partido de Renovação Social (PRS) para impugnação dos resultados das eleições gerais de 23 de Agosto.

20170913063257actasontem

No acórdão proferido ontem e entregue ao mandatário do partido, Manuel Moxito, o Tribunal Constitucional negou provimento ao recurso do contencioso eleitoral interposto pelo PRS e indica que este partido juntou ao processo actas de operações eleitorais com fortes indícios de falsificação, com o propósito de buscar vantagem injustificada.

Os juízes conselheiros do Tribunal Constitucional, reunidos em plenário desde segunda-feira, consideram o acto uma infracção eleitoral e criminal, conforme o artigo 203.° da Lei Orgânica das Eleições Gerais, e prometem lavrar uma certidão para dar a conhecer o facto ao Ministério Público para os devidos efeitos legais.

Os mesmos documentos de prova não demonstraram o prejuízo alegado pelo PRS em relação aos votos que lhe foram atribuídos. Nos círculos eleitorais das províncias da Lunda-Norte e Lunda-Sul, refere o acórdão, os resultados apresentados pela CNE são até superiores aos que resultam das actas apresentadas com o requerimento de recurso.

O Tribunal Constitucional concluiu ainda improcedente a impugnação do PRS referente à atribuição de um mandato nos círculos eleitorais daquelas duas províncias, uma vez que em tais círculos eleitorais não havia coincidência de quociente no momento da atribuição do último mandato.

O mandatário do partido, Manuel Moxito, disse que o partido vai se conformar com a decisão do Tribunal, tendo em conta que a Lei Orgânica das Eleições Gerais não confere mais nenhuma possibilidade de recurso aos partidos políticos.

Negado recurso da FNLA

Ainda ontem, o Tribunal Constitucional julgou improcedente o recurso interposto pela FNLA para invalidade dos resultados eleitorais definitivos das eleições gerais, por incumprimento de procedimentos do seu apuramento.

O órgão judicial, enquanto Tribunal Eleitoral, proferiu um acórdão onde concluiu que o apuramento provincial foi realizado dentro do prazo legalmente estabelecido e com observância dos procedimentos devidos. A alegação da FNLA, segundo a qual o envio das actas síntese e das actas das operações eleitorais não respeitou as disposições legais sobre a matéria, também foi considerada improcedente.

Para o Tribunal Constitucional, não restam dúvidas de que foram realizadas um conjunto de operações de apuramento no Centro de Escrutínio Nacional nos termos impostos pela Lei Orgânica das Eleições Gerais.

O mandatário da FNLA, Gabriel Simão, que recebeu o acórdão, referiu que o partido aceita a decisão do Tribunal e está consciente de que não tem outra alternativa. Composto por 11 juízes conselheiros, incluindo o juíz presidente, o Tribunal Constitucional aprovou por maioria o acórdão do PRS e da FNLA.

A juíza conselheira Maria Melo votou vencida, com declaração de voto, ao passo que o juíz conselheiro Onofre dos Santos não participou na sessão plenária por razões de saúde. Até ao fecho da edição, o plenário do Tribunal Constitucional continuava reunido para avaliar os recursos apresentados pela. A UNITA e a coligação CASA-CE. A primeira contesta os procedimentos de apuramento dos resultados definitivos realizados pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE), onde a reclamação foi apresentada em primeira instância e considerada improcedente.

A segunda entregou na secretaria judicial do Tribunal Constitucional documentos alegadamente sobre irregularidades registadas em 15 províncias, que também foram remetidos às comissões provinciais eleitorais e à Comissão Nacional Eleitoral, onde apresentaram em primeira instância a reclamação, que foi considerada extemporânea e improcedente.

A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) apresentou ao Tribunal Constitucional as suas contestações às alegações da UNITA, CASA-CE, PRS e FNLA constantes dos seus processos de recurso.

A Comissão Nacional Eleitoral foi notificada pelo Tribunal Constitucional para contrapor às elegações apresentadas pelas formações políticas que reclamam incumprimento dos procedimentos de apuramento dos resultados provisórios e definitivos previstos na Lei Orgânica sobre as Eleições Gerais.

Entenda os passos seguintes à arquivação

Quatro formações políticas apresentaram ao Tribunal Constitucional recursos para impugnação dos resultados das eleições gerais de 23 de Agosto.O prazo estabelecido na Lei Orgânica das Eleições Gerais para o Tribunal Constitucional decidir sobre os processos termina hoje e, depois do PRS e da FNLA, a UNITA e a coligação CASA-CE devem ser notificadas hoje sobre os acórdãos.

Depois da decisão do tribunal, os partidos políticos já não têm nenhuma possibilidade de reclamação, porque, de acordo com a Lei Orgânica sobre as Eleições Gerais, as decisões proferidas por este órgão em matéria eleitoral têm caracter definitivo. As decisões não podem ser mais objecto de verificação e de impugnação perante qualquer instância judicial, administrativa ou política do país.

A função do Tribunal Constitucional no contencioso eleitoral é verificar, com base nas alegações e nas provas documentais apresentadas pelas partes, se houve irregularidades na realização de actos de operações eleitorais contrários à Lei Orgânica das Eleições Gerais, violação de algum procedimento legal durante o processo de votação, apuramento, escrutínio e de distribuição de assentos parlamentares.

O Tribunal Constitucional não tem competência legal para fazer recontagem de votos ou apuramento dos resultados eleitorais, por não possuir um centro de escrutínio e não ser essa a sua função ao abrigo do contencioso eleitoral. Se forem detectadas irregularidades, é função do Tribunal declará-las e orientar a medida a ser adoptada para suprir essa ilegalidade. Caso contrário, este órgão declara a validade das eleições gerais de 23 de Agosto.

A União Africana exige o fim de interferências das forças estrangeiras na mediação africana, da Organização das Nações Unidas (ONU) e dos países vizinhos na crise Líbia, na declaração final da quarta reunião dos trabalhos do Comité de Alto Nível da organização continental sobre a crise na Líbia, realizada sábado e domingo em Brazzaville, capital da República do Congo.

20170912052044uniao

A iniciativa africana trabalha, desde a reunião de Brazzaville, para preparar o terreno com vista a um diálogo completo antes de definir um quadro jurídico da fase de transição a ser lançada antes do final de 2017, devendo ser antecedida por uma reunião preliminar a ser realizada em Novembro.

A Comissão de Emenda ao Acordo Político Líbio no Alto Conselho de Estado na Líbia, liderada por Moussa Faraj, esteve reunida no sábado com a Câmara dos Representantes (Parlamento), à margem da cimeira africana de alto nível de Brazzaville sobre a Líbia. Denis Sassou Nguesso, o Presidente da República do Congo, assistiu à reunião com o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mohamed, e membros das duas comissões.

Da agenda de trabalho da Cimeira de Brazzaville constaram as etapas preliminares necessárias para se começar o trabalho de duas comissões e emendas limitadas ao Acordo Político líbio para completar a sua aplicação integral com vista a pôr fim à crise actual. Moussa Faki Mahamat convidou na Cimeira de Brazzaville os líbios a fazerem um esforço transcendental e de responsabilidade. “Convido-vos, do fundo do coração, a envidarem esse esforço transcendental e de responsabilidade. Nesta senda, podemos contar, sem limite, com a União Africana, todos os seus órgãos, mecanismos e meios”, disse o diplomata chadiano na abertura da quarta reunião do Alto Comité da União Africana sobre a Líbia.

“A exclusão, o fanatismo, o extremismo e a tendência funesta a impor soluções sectárias, as do tudo ou nada, é o perigo encarnado. Juntem as vossas posições para salvarem o vosso povo do seu sofrimento comum, para conjugarmos, juntos, os nossos esforços comuns em prol dos vossos interesses comuns.

A solução da crise líbia está no consenso, reconciliação, participação e envolvimento de todos”, afirmou. Moussa Faki Mahamat referiu que as dores da tragédia comum só se superam com sacrifício colectivo de todos os que sofrem, choram e rezam pela paz, e frisou que uma grande oportunidade se apresenta para a paz e reconciliação dos líbios, exortando-os a terem a coragem e sabedoria de “não traírem o vosso povo, os vossos irmãos africanos, árabes em religião e os vossos amigos no mundo”.

O presidente do Conselho Presidencial do Governo de União Nacional, Fayez al-Sarraj, manifestou a esperança de que a cimeira de Brazzaville consiga encontrar soluções para a crise política actual na Líbia e pôr termo ao sofrimento dos líbios.

Outros protagonistas da crise líbia, dos quais o presidente do Parlamento, Aguila Saleh, o presidente do Alto Conselho de Estado, Abderrahman al-Sweihli, participaram no encontro, destinado a aproximar as posições líbias e buscar concessões para ultrapassar “o estado de obstrução política que entrava a conclusão da implementação do acordo político, e consolidar os esforços de reconciliação nacional no país”. Participaram na Cimeira de Brazzaville 15 Chefes de Estado africanos.

O Comité de Alto Nível da União Africana sobre a Líbia integra cinco países, África do Sul, Etiópia, Níger, Mauritânia e República do Congo.

O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, é portador de uma carta a ser entregue durante uma audiência em Pretória. Georges Chikoti está desde ontem (11) na capital sul-africana na qualidade de enviado especial do Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

20170912064551zumz12

Angola assumiu recentemente a presidência do órgão de cooperação, política, defesa e segurança da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).George Chikoti deve entregar igualmente ao Estadista sul-africano o relatório da missão de avaliação da troika da organização que, em Maseru (Lesoto), analisou a crise política neste país, tendo reunido com as mais altas entidades do Estado, líderes religiosos e a sociedade civil organizada.

A África do Sul, através do seu Chefe de Estado, assumiu no mês passado a presidência em exercício da SADC, a decisão saiu da trigésima sétima cimeira dos Chefes de Estado e de Governo ou seus representantes da SADC.

Na mesma cimeira Angola assumiu a presidência do órgão de política, defesa e segurança da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral) para um mandato de um ano. O Chefe de Estado angolano foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, no encontro sob o lema “Estabelecimento de parcerias com o sector privado no desenvolvimento da indústria e de cadeias de valor regionais”.

Em discussão, estiveram questões sobre o desempenho da economia da SADC, segurança alimentar, VIH e SIDA, operacionalização do fundo de desenvolvimento regional, as reformas institucionais da União Africana e o regime de livre circulação de pessoas em África.

O processo de isenção de vistos nos Estados SADC, a instituição do feriado regional, criação de uma fundação para homenagear os países fundadores da SADC, cooperação entre a SADC e a Federação da Rússia, admissão de novos membros (pedidos do Burundi e das Ilhas Comores) estiveram também em discussão.

A reunião dos Chefes das Diplomacias dos Estados da Região Austral analisou ainda a questão de realização de uma conferência da SADC em solidariedade com a República Árabe Sarawi Democrática (Sahara Ocidental, além de questões relacionadas com as mulheres em cargos políticos e de tomada de decisão e, ainda a estratégia e roteiro para a industrialização da SADC foram também abordados pelos ministros.

A diamantífera canadiana Tango Mining assinou um contrato de três anos com a Cooperativa de Exploração Semi-Industrial de Diamantes angolana Txapemba, para explorar diamantes na bacia do rio Luembe, na Lunda-Sul.

cms image 000005274

A parceria garante à Tango 60% dos lucros da venda das pedras produzidas e a dedução de todos os custos operacionais. A entrada da Tango Mining no mercado diamantífero angolano, numa concessão de 84 quilómetros quadrados para a exploração semi-industrial de diamantes na bacia do rio Luembe, na Lunda-Sul, foi anunciada pela própria empresa, sediada no Canadá.

"A Tango será responsável pelas despesas de capital associadas com a aquisição de equipamento e desenho da mina e será o único operador", lê-se numa nota de imprensa divulgada no site da companhia.

"Como remuneração, a Tango vai receber 60% dos lucros da venda das pedras produzidas e todos os custos operacionais da empresa são dedutíveis", indica o comunicado, que não avança um data para o arranque da actividade. Sabe-se apenas que os próximos meses serão ocupados por uma avaliação geológica completa.

IMPASSE POLÍTICO. As atenções noticiosas mundiais desviaram-se no início da semana da tensão na península coreana para a região das Caraíbas e Estados Unidos, na medida em que se aproximava o furacão Irma, um dos mais poderosos e devastadores das últimas décadas.

21443172 1714040565273710 994611646 n

O fenómeno natural começou por atingir as Bahamas, zona altamente turística e habitualmente calma. O furacão atingiu fortemente as ilhas de Turcos e Caicos e as Ilhas Virgens, antes de evoluir também para Cuba.

Durante a sua passagem inicial, a combinação de temporal e fortíssimos ventos provocou vários mortos e destruição incalculável, mas, curiosamente, ´poupou´ a costa norte do Haiti, o país mais pobre da região.

A próxima paragem seria a Florida, nos Estados Unidos, onde as autoridades prepararam uma série de medidas sem precedentes.

Entretanto, a caminho dos EUA, o Irma baixou para a categoria 4, a segunda mais alta na escala Saffir-Simpson, mas continuava “extremamente perigoso”, segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC).

A passagem pelo Caribe foi devastadora: duas pessoas morreram no Porto Rico, quatro nas Ilhas Virgens americanas, uma em Barbuda e cinco na ilha de Saint Martin (quatro do lado francês e uma do lado holandês).

Cuba esperava a passagem do furacão durante a noite de sexta-feira. As autoridades decretaram alerta máximo em sete das suas 15 províncias e obrigaram à retirada de 10 mil turistas estrangeiros.

Quase um milhão de pessoas receberam ordens de deixar áreas costeiras de Flórida e Geórgia, na maior evacuação maciça nos Estados Unidos em 12 anos.

“Será realmente devastador”, antecipou, quinta-feira, o diretor da Agência Americana de Gestão de Emergências (Fema), Brock Long. Depois do Irma, o Caribe enfrentará a fúria de outros dois furacões: José e Katia. O primeiro, que seguia a trajetória de Irma, ganhou força na quinta-feira e subiu para categoria 3, com ventos de até 195 km/h, segundo o NHC. Katia, de categoria 1, deve chegar à costa do estado mexicano de Veracruz também na sexta-feira.

Durante a passagem pelo Caribe, o Irma deixou pelo menos 23 mortes, segundo confirmação dos governos regionais: uma criança em Barbuda, uma em Anguila, três em Porto Rico, quatro nas Ilhas Virgens americanas, outras quatro nas Ilhas Virgens britânicas, nove na parte francesa da ilha Saint Martin e um na parte holandesa.

Com rajadas de vento que chegaram a 295 km/h, o furacão varreu pequenas ilhas caribenhas como Saint Martin, onde 60% das casas ficaram inabitáveis.

“Parece como se uma podadora gigante tivesse descido do céu e passado pela ilha”, explicou Marilou Rohan, moradora afectada. “As casas foram esmagadas e as pessoas não têm esperança, vemos em seus olhos”, acrescentou Rohan nesta ilha conhecida pelas praias paradisíacas e cujo território França e Holanda compartilham.

As autoridades francesas confirmaram nove mortos em Saint Martin e 50 feridos. Do lado holandês, houve pelo menos um morto. A ministra francesa de Ultramar, Annick Girardin, que percorreu Saint Martin na quinta-feira, disse que viu alguns saques.

Horas antes, o Irma era um furacão de categoria 5, a máxima, chegando a gerar ventos de 295 km/h durante mais de 33 horas, um recorde desde o início do monitoramento por satélites em 1970. As fortes rajadas arrancaram tectos, esmagaram embarcações e deixaram escombros por todo lado. Aeroportos, portos e linhas telefônicas ficaram fora de serviço.

Segundo a Cruz Vermelha Internacional, o furacão afectou 1,2 milhões de pessoas, mas admitiu que a cifra poderia chegar a 26 milhões.