ZUNGUEIRA
Valor Económico

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O Presidente da República, João Lourenço, chegou na manhã de hoje (quinta-feira) a Luanda, depois de ter participado, como convidado, terça e quarta-feira na 48.ª edição do Fórum Económico Mundial (FEM), que decorre até ao fim-de-semana na estância turística de Davos, Confederação Helvética da Suíça.

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No Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, o Chefe de Estado recebeu cumprimentos de boas-vindas do vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, do presidente da Assembleia Nacional, Fernando Dias dos Santos, e de titulares do Poder Executivo, entre outras individualidades.

Em Davos, João Lourenço, interveio no painel consagrado ao desenvolvimento da energia no continente africano, intitulado ‘Acelerando o acesso da Energia em África’, manteve vários encontros de trabalho, com destaque para as reuniões com o presidente brasileiro, Michel Temer, primeiro-ministro português, António Costa, e directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde. Esta foi a primeira participação de um Chefe de Estado angolano no Fórum, que reúne cerca de três mil representantes de uma centena de estadista de todo mundo.

Para além de Christine Lagarde, o Chefe de Estado angolano tem ainda em agenda encontros com com os presidentes de França, Emmanuel Macron, da Confederação Suíça, Alain Berset, entre outros.

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A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), a francesa Christine Lagarde, afirmou na terça-feira, 23, que manteve encontro "muito construtivo" com o Presidente da República de Angola, João Lourenço, à margem do Fórum Económico Mundial, que decorre na Suíça até sexta-feira.

Fazendo uso da sua página no twitter, a responsável máxima do organismo multilateral acrescentou que trocou pontos de vista com o Chefe de Estado sobre estabilidade macroeconómica e crescimento inclusivo em benefício dos angolanos.

“Tive um encontro muito construtivo com o Presidente de Angola,João Lourenço. Trocamos pontos de vista sobre os mesmos objectivos: estabilidade macroeconómica e forte e inclusivo crescimento em benefício do povo angolano”, escreveu Christine Lagarde.

Além do encontro com a primeira mulher a ocupar o cargo de directora-geral do FMI, o Presidente da República, um dos convidados da 48ª edição do Fórum Económico Mundial, tem na agenda audiências com várias personalidades, entre as quais homólogos, chefes de governo e líderes de instituições financeiras internacionais. Estão entre estas figuras os presidentes francês, Emmanuel Macron, e da Confederação Suíça, Alain Berset, e o primeiro-ministro português, António Costa.

O grande objectivo com a iniciativa em causa é fazer com que todas as empresas actualizem os respectivos dados com regularidade, pelo menos uma vez por ano, de acordo com o INE.

INE 2017

O Instituto Nacional de Estatística (INE) lança, a partir da próxima semana, uma campanha de sensibilização sobre a necessidade do registo estatístico e a actualização anual dos dados das empresas nacionais, estrangeiras, públicas e privadas de todos os ramos de actividade existentes no país.

A informação foi avançada pela instituição, em comunicado, divulgado esta quarta-feira, 22, a que o VE online teve acesso. Na nota, o INE refere que a campanha visa, entre outros objectivos, actualizar a base de dados central de empresas, bem como melhorar a qualidade das estatísticas económicas e incentivar a participação de todas as empresas para o registo e actualizações regulares.

“A actualização de dados ajuda o país a dispor de estatísticas empresariais actualizadas, a analisar a situação económica do país pelos utilizadores (governo, fazedores de políticas económicas, académicos, investigadores) e a facilitar a tomada de decisões para o desenvolvimento económico do país”, explica o chefe do departamento de Contas Nacionais e Coordenação Estatística, Agostinho Sardinha.

Para o responsável, o grande desafio é fazer com que todas as empresas actualizem os respectivos dados com regularidade, pelo menos uma vez por ano.

O registo estatístico é um acto administrativo contínuo de acompanhamento do ciclo de vida das empresas (nascimento, alterações, suspensão temporária e cessação) para permitir a disponibilização de informações actualizadas sobre a distribuição do universo de empresas no País em diferentes actividades económicas.

O Ministério das Finanças tem seis meses para preparar a segunda emissão angolana de 'eurobonds', ou dívida soberana em moeda estrangeira, que deverá rondar os 2.000 milhões de dólares.

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A informação consta do Plano de Estabilização Macroeconómica (PEM) e surge numa altura em que a dívida pública governamental (que exclui a contraída pelas empresas públicas angolanas), já ultrapassou o equivalente a 67% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo dados deste mês do Ministério das Finanças.

No PEM, aprovado pelo Governo no final de 2017 e que prevê a aplicação, até final deste ano, de 109 medidas de políticas fiscal, cambial e monetária, o Ministério das Finanças tem a tarefa de "implementar as acções necessárias para a emissão de ‘eurobonds'" durante o primeiro semestre, no âmbito das acções de "sustentabilidade da dívida pública".

A despesa do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2018, cuja proposta está em discussão na Assembleia Nacional até Fevereiro, com a dívida pública é uma das maiores preocupações admitidas pelo Governo, que assume o objectivo, segundo o ministro das Finanças, Archer Mangueira, de "alterar a actual trajectória", através de um "exercício de consolidação fiscal".

O ministro das Finanças explicou, em meados de Janeiro, que o Estado vai precisar de contrair 1,128 mil milhões de kwanzas de dívida em 2018, enquanto necessidades líquidas, acrescido de 4,153 mil milhões de kwanzas para pagar o serviço da dívida actual, respeitante a este ano.

O Estado estreou-se na emissão de ‘eurobonds' em Novembro de 2015, angariando então, no mercado externo, cerca de 1.500 milhões de dólares, através de um consórcio de bancos liderado pelo norte-americano Goldman Sachs International e que incluiu ainda o alemão Deutsche Bank e os chineses da ICBC International.

Desta vez, o Governo pretende angariar até 2.000 milhões de dólares, argumentando ainda que a emissão visa garantir a "prossecução de objectivos económicos e sociais de interesse público indispensáveis ao desenvolvimento nacional". Os juros da primeira emissão angolana de ‘eurobonds' foram confirmados em 9,5%, a liquidar aos dias 12 de Maio e 12 de Novembro de cada ano, a partir de 2016, com uma maturidade a 10 anos. Além de cobrir as necessidades de financiamento do Estado, colmatando a quebra nas receitas fiscais decorrentes da exportação de petróleo, esta operação permitiu igualmente o acesso a divisas, que o país necessita nomeadamente para garantir as importações de alimentos e matéria-prima.

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Falta de clientes e redução de preços são os reflexos da crise que também atinge as estações de serviço. A alternativa passa por prestar outros serviços e por reduzir salários.

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A lavagem de viaturas nas estações de serviço nos bairros de Luanda deixou de dar os lucros que já deu. Por isso, tentam disponibilizar, além da lavagem, pintura, bate-chapa, tratamento de ar condicionado, manutenção e serviços de mecânica.

Desse modo, o cliente que leva a viatura para a pintura, mecânica ou outro serviço, já não precisa de lavar a viatura noutro lugar porque, a maioria das estações já garantemtodos os serviços.

As estações que chegavam a lavar oito carros por dia, de segunda a sexta-feira e, 12 aos sábados e domingos, lavam, actualmente, apenas um ou dois carros por dia, de segunda a sexta-feira e seis carros aos fins-de-semana.

Na oficina ‘Matrixi Li’ Grupo, no Benfica, em Luanda, gerenciada por um cidadão de nacionalidade chinesa, a facturação baixou significativamente, desde o princípio de 2017. A lavagem, que rondava os seis mil kwanzas, passou a custar entre os 2.500 e os 3.500 kwanzas.

Os únicos dois lavadores são angolanos e confirmam que “sábado e domingo são os dias que têm tido mais trabalho, porque conseguem lavar seis a sete carros”. A estação é composta por três chineses, dois lavadores angolanos e uma secretária, também angolana. Segundo Eugénia Máquina, secretária e recepcionista, “tem sido difícil, nos últimos dias, conseguir clientes à segunda-feira, mas às terças e quartas, no final da tarde, quando a maior parte do pessoal está a sair dos locais de trabalho, aproveitam para lavar as viaturas”.

É difícil saber os salários dos chineses, mas o Valor apurou que os dois angolanos, que ganhavam 35.000 kwanzas mensais, agora ganham 25.000 kwanzas cada um e, a remuneração da secretária sofreu uma redução dos 45.000 kwanzas para os 35.000 kwanzas por mês.

Reduções

Alexandre Buta é gerente e dono da Estação de Serviço AB, no Calemba 2, mas, começou o negócio nas áreas dos transportes e educação. Por causa da crise, viveu situações complicadas. Já faltavam clientes no final de 2014.

Depois desse periódo, Alexandre Buta pensou num outro negócio que pudesse acudir a área dos transportes. Abriu uma estação de serviço e reconhece que “a situação actual é diferente” de quando começou.

Em 2014 e 2015, Alexandre Buta conseguia, em média semanal, 800 a um milhão de kwanzas, só na estação de serviço. Actualmente, a média semanal oscila entre os 150 e os 200 mil kwanzas. “A média semanal passou a ser a média mensal e, às vezes, não chega para cobrir as despesas.”

Apesar das dificuldades,não baixou os salários dos funcionários, que variam dos 25 mil kwanzas aos 50 mil. Alexandre Buta decidiu implementar uma oficina que ainda prestasse assistência técnica, mecânica, manutenção, lubrificações e recauchutagem para conservar o empreendimento e manter a freguesia.

Tem 12 funcionários. Os preços das lavagens variam dos mil kwanzas aos 2.500. Anteriormente, a lavagem mais barata custava 3.500 kwanzas e a mais cara rondava os cinco e os seis mil kwanzas.

Com a implementação dos outros serviços, a estação consegue atender 20 a 30 viaturas por dia. Na AB, fazem-se lavagens normais e ‘vips’, com utilização de produtos especiais e que custam mais caro.

As ‘vips’ vão dos quatro aos seis mil kwanzas. Os preços da lavagem a seco e de interiores variam dos 12 aos 16 mil kwanzas, e leva algumas horas para terminar. As viaturas com manchas ficam, no máximo, dois dias na estação.

A resistir…

A Estação de Serviço Avima, na avenida Comandante Fidel Castro, tem 11 funcionários e dois sócios. O gerente, António Ginga, garante que os finais-de-semana são os dias de eleição dos clientes, mas o número de viaturas baixou significativamente. Mesmo assim, lava entre cinco e sete carros por dia. De segunda à sexta-feira, lavam dois a três carros por dia, ao preço de 2.500 kwanzas cada um, no caso dos carros pequenos, e as maiores custam 4.000 kwanzas.

Por causa da fraca clientela, o salário dos lavadores baixou de 35 para 25 mil kwanzas. Segundo Ginga, “a situação mantém-se porque os clientes preferem as oficinas que fazem outros serviços além das lavagens, por isso, o patrão está a analisar a redução do preço das lavagens para preservar os ‘clientes da casa’”.

Em confronto com a ‘AB’, a estação TDT também implementou outros serviços para manter a freguesia. A TDT está situada na Zona das ‘Quinhentas Casas’, em Viana, e pertence a vietnamitas. Mas o gerente é angolano, chefiando nove colegas, igualmente angolanos, entre lavadores, mecânicos, bate-chapas e pintores. A estação lava mais de 10 carros por dia porque os preços baixaram. Os carros grandes, tipo Toyota ‘Land Cruiser’, pagam 3.500 kwanzas, os do tipo Hiace 6.000 e os da classe turismo 2.500. A lavagem de interior demora quatro dias enquanto a seco leva 15 dias por 25.000 kwanzas.

‘Dibinza’ também na rua

Os lavadores de carros de rua também estão a viver momentos difíceis e diferentes de outros tempos. Adilson Hilário trabalha rua do Projecto Nova Vida há mais de seis meses. Antes, conseguia 15 mil kwanzas por dia. Agora, consegue apenas quatro mil nos dias de semana e oito mil nos finais-de- semana. Para lavar uma viatura numa rampa, cobra 2.500 kwanzas e fora da rampa 1.500 quando, antes, na rampa cobrava seis mil kwanzas e 3.000 fora.

Adilson Hilário lava cinco carros, mas tem de entregar a maior parte do lucro ao gerente. Ainda tem de convencer clientes, em disputa com os outros colegas. Se lavar um carro e receber 2.500 kwanzas, tem de dar ao gerente 1.700, ficando apenas com 800.

Fernando Paulo lava no Bairro Prenda, há mais de cinco anos. Antes da crise, lavava entre seis e sete carros por dia. Agora, só com muita sorte consegue dois ou mesmo um. As sextas e sábados são os dias em que mais consegue clientes.

Cada um paga 500 kwanzas só para limpar o carro e mil se quiser uma lavagem de dentro e fora da viatura. Domingo é o dia que não pode faltar porque lava cinco viaturas ou mais e recebe cinco a oito mil kwanzas.