César Silveira

César Silveira

Editor Executivo do Valor Económico

Ao afirmar, no discurso de fim de ano, que todas as decisões do Executivo foram tomadas a pensar na felicidade dos angolanos, o Presidente da República fez uma declaração, simultaneamente, confortável e frágil. Confortável porque soa bem; frágil porque não resiste a um confronto sério com a realidade social, económica e institucional do país.

BALANÇO. Eleger a sociedade civil como Personalidade do Ano é reconhecer o despertar cívico que marcou 2025. Resta saber se este impulso será sustentável e se dará lugar a organizações mais sólidas, lideranças responsáveis e agendas claras. 

A sociedade civil foi a escolha da equipa do Valor Económico como Personalidade do Ano. Uma eleição que não é negativa por reconhecer o exercício legítimo dos direitos à manifestação, à greve e à reivindicação. É negativa porque traduz, acima de tudo, uma oportunidade perdida.

O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino de Azevedo, num concorrido matabicho com jornalistas e fazedores de opinião, voltou a alertar para a crescente dificuldade que Angola e outros produtores enfrentam na venda de diamantes naturais, face ao avanço implacável dos diamantes sintéticos. Estas palavras não devem ser lidas como aviso técnico ou curiosidade de mercado.